domingo, 9 de agosto de 2026

Pedro Teixeira, criado particular do Rei D. José I

Pedro Teixeira (ou Pedro Teixeira da Costa), valido de D. José, CPOC59. Nasceu na freguesia de Santos-o-Velho, onde foi baptizado a 18.4.1716, sendo seus padrinhos El-Rei D. João V, por quem tocou o prior de São Nicolau, João Antunes Monteiro, e, por procuração, Mariana Grilhó, de nação francesa.
Sendo o seu pai e seus irmãos mais velhos funcionários da Corte e criados particulares de El-Rei, tudo leva a crer que tenha convivido desde criança com o futuro Rei D. José, de quem o separavam apenas dois anos de idade e de quem deve ter sido companheiro de brincadeiras, mais tarde acompanhado nas atividades da juventude e depois seu íntimo e fiel servidor.
Aos 26 anos, em 23.6.1742, teve alvará de Reposteiro da Câmara do número com $606 réis de moradia por mês e suas vestiarias e mercês ordinárias cada ano.
Em 15.7.1748 o foro de Escudeiro, com $400 réis de moradia por mês, acrescentado a Cavaleiro da Casa Real com mais $300 réis de moradia e um alqueire de cevada por dia.
Em 5.12.1749, pelo muito zelo e procedimento que era bem notório com que vinha servindo, teve mercê de um dos ofícios de Guarda do número da Casa da Índia, por falecimento do Desembargador Manuel Luís Pires, de quem não ficaram filhos, e do qual se fazia digno por concorrerem nele os requisitos necessários para bem servir o dito ofício.
Esta mercê foi no entanto contestada por um irmão do referido Desembargador Manuel Luís Pires, que embargou a emissão da respectiva carta a Pedro Teixeira, pelo que este, porque não podia continuar o pleito, pediu desistência da propriedade do referido cargo, sendo-lhe dado em troca em 11.4.1750 mercê da propriedade do ofício de Escrivão do Meirinho do Conselho da Fazenda,  que de novo se criava, com 20$000 réis de ordenado cada ano e 3$500 réis de propina e mais próis e percalços que diretamente lhe pertencerem.
Este ofício ser-lhe-ia confirmado mais tarde por D. José. Em 25.5.1750, por ter servido com todo o cuidado e boa satisfação, tendo inteiro cumprimento a tudo que se lhe tinha encarregado, e sempre com o procedimento que lhe era notório, foram-lhe dadas umas terras na Lezíria de Muge, que haviam sido dadas em sua vida ao Padre José Teixeira, falecido havia mais de um ano.
Estas terras ser-lhe-iam mais tarde trocadas por mercê de El-Rei D. José por 14 moios de terra nas lezírias do Almoxarifado da Malveira, de juro e herdade, fora da Lei Mental.
Em 19.5.1751, sendo morador na Porta da Boa Viagem e referido como Cabo do Forte da Cruz Quebrada e criado particular de El-Rei, teve mercê da Companhia de Ordenança da Corte, que vagou por morte do Capitão Manuel Gomes de Oliveira, ficando com o Forte em que estava provido.
Em 27.9.1755, em atenção aos seus merecimentos e mais partes, foi nomeado Sargento-Mor de Ordenanças dos Privilegiados da Corte, no lugar que vagou por morte de Lourenço Ribeiro Soares, do Regimento de que tinha sido Coronel o Conde de Valadares.
Foi também proprietário do ofício de Porteiro do Conselho da Real Fazenda, o qual foi concedido após a sua morte, em 26.9.1778, a seu cunhado e primo José Teixeira Pilão nº 56 acima. 
Acompanhava El-Rei D. José na noite de 3.9.1758 quando se verificou o atentado contra o monarca, no local onde hoje se encontra a Igreja da Memória, e foi o primeiro depoente no Processo dos Távoras, no qual declarou ser morador no lugar de Belém, ter de idade quarenta anos, pouco mais ou menos e ser criado particular de El-Rei Nosso Senhor.

Pedro Teixeira casou na freguesia da Ajuda em 15.7.1752, com dispensa dos 2º e 3º graus de consanguinidade, com sua prima D. Ana Joaquina Rosa do Céu nº 54 acima, nascida na freguesia de Sta. Catarina do Monte Sinai em 1.3.1729, filha de Rodrigo Teixeira e de sua mulher Francisca Pereira. Não tiveram geração.
Pedro Teixeira morreu na Ajuda aos 62 anos em 12.9.1778, sem testamento e sem filhos, e foi sepultado na Igreja dos Religiosos Arrábidos de São Francisco de São José de Ribamar.
O seu funeral, contando missas e esmolas, custou a extraordinária quantia de 776$560 réis. Após a sua morte a sua viúva mandou proceder a um Inventário de Partilhas, iniciado em 17.10, que nos dá imensa informação não só sobre os seus consideráveis bens (avaliados em cerca de 85 contos de réis) mas também sobre parte da composição desta família e o seu modo de viver.

Foram herdeiros, para além da viúva, o único irmão ainda vivo e nove sobrinhos.  
Morava na Alto da Ajuda, no Casal do Tojal, na terra da Sardinheira, que no seu assento de óbito é referido por Casas do Moinho, na antiga estrada para Queluz, um pouco acima do local onde existia a Real Barraca feita após o Terramoto para albergar a família real e que viria a dar lugar ao Palácio da Ajuda.
Existe ainda hoje a Estrada de Pedro Teixeira, onde resta parte do casal que, segundo o historiador Rocha Martins, que ainda o conheceu caiado de fresco, de certo ar pimpante, aí por 1895, sendo então residência de lavrador, seria a melhor casa da riba, por detrás dos palácios de madeira, entre solarenga e rural, com as pretensiosas chaminés campanudas, cujos pátios gradeados e portões lhe davam um ar senhorial, onde vivia o maior, senão o único, confidente do Rei, o favorito, o que lhe obedecia cegamente, cuja situação na corte de D. José lhe teria permitido subir muito alto e ter deixado à posteridade o clarão espancador das trevas que envolvem o reinado.




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