segunda-feira, 28 de março de 2022

Aclamação do Rei D.João III de Portugal


Por essa altura, São Roque era ainda uma pequena ermida fora das muralhas da cidade em expansão. Porém, quem nesses dias subisse ao seu telhado poderia lobrigar o Rossio e ver a preparação de um espetáculo que não se iria repetir nunca mais: a Aclamação de D. João III como novo rei de Portugal.


O costume do reino ditava que o novo monarca fosse aclamado três dias depois do enterro do seu antecessor. No entanto, a vontade de ‘‘aparato e pompa’’ (palavras do Cronista Francisco de Andrada) e a chuva persistente atrasaram três dias a cerimónia. Nesse intervalo e com a supervisão pessoal do príncipe, tudo se preparou: em frente à igreja de São Domingos montou-se um alpendre que cobria um estrado elevado seis degraus acima do chão, um ‘estrado triunfal’ como lhe chamou Garcia de Resende ou, melhor ainda, “um teatro”, no dizer de Francisco de Andrada. Com efeito, o estrado serviria de palco para as cerimónias públicas que marcava o pleno início do reinado: o ‘levantamento’ do rei seguido da sua ‘aclamação’.


Desde o século XII que era a ‘aclamação’ a legitimar o Rei de Portugal. Cada uma repetia, quase como um rito, o gesto dos cavaleiros que antes da batalha de Ourique levantaram num escudo Afonso Henriques e declararam o seu príncipe como rei. Por isso, nas crónicas, os reis de Portugal são ‘levantados’, ‘alçados’ ou ‘aclamados’ e não ‘coroados’, ‘ungidos’ ou ‘entronizados.’ A monarquia portuguesa trai aqui o seu remoto passado germânico. Os reis de Portugal são reis da Reconquista, descendem dos monarcas asturo-leoneses que, por sua vez, assumem o manto dos soberanos visigodos. Estes mantinham vivas as longínquas tradições germânicas segundo as quais o rei era escolhido e logo elevado num escudo transportado pelos notáveis da comunidade. Esta preferência dos povos da Germânia por um monarca eleito e aclamado contrasta, por exemplo, com a França e a Inglaterra, cujos reis só eram plenamente legítimos depois de ungidos e coroados em cerimónias litúrgicas próprias.


Deve notar-se, porém, que, pelo menos durante a primeira dinastia, os reis portugueses eram também coroados. Em 1179 o Papa dera a Afonso Henriques a coroa e as restantes regalia e, pela mesma altura, definiu-se mesmo uma liturgia para os bispos portugueses celebrarem. Os primeiros reis seguiram a tradição de se fazerem coroar em Coimbra. No entanto, tratava-se de uma cerimónia que tinha implicações políticas indesejadas para o rei e para o reino: se fosse o rito da coroação a constituir o rei, o clero poderia subalternizar o papel do monarca.


 


Uma manhã radiosa


Estava ‘‘tanta multidão de povo que parecia estar todo o reino junto’’, nas palavras de um testemunho guardado por Frei Luís de Sousa. Um cronista contemporâneo, Garcia de Resende, disse que esteve na aclamação ‘‘gente sem conto’’. Gaspar Correia confirma estas impressões ao dizer que houve quem morresse esmagado pela turba. Todos queriam aclamar o rei que Gil Vicente descreve de forma efusiva: O príncipe dom João, é Príncipe angelical /…/ o seu rosto tão fermoso/ que parece devinal /seus olhos resplandeciam/ como estrelas igual. /Os cabelos da cabeça/ d’ouro eram que não d’al/ sua boca graciosa/ com ar muito angelical/ …. A indumentária vem descrita em pormenor por Frei Luís de Sousa: levava o rei uma opa roçagante de brocado, forrada em martas, sobre gibão de tela de prata, cinto e adaga de ouro, colar de pedraria. Só este colar, acrescenta hiperbolicamente Gil Vicente, valia toda a Alexandria.


Chegado ao alpendre, onde o aguardava o seu irmão, Cardeal D. Afonso, D. João III desmonta, sobe ao estrado mais alto onde o esperava uma cadeira de espaldar e recebe o ceptro. Espera um discurso dirigido ao povo a explicar a sua legitimidade e as razões da obediência devida ao rei. Depois, ajoelhado diante de um missal e de uma cruz, o filho de D. Manuel I jurou proteger os ‘bons costumes, privilégios, graças, mercês e liberdades e franquias … pelos reis passados dados.’ De seguida, vieram prestar juramento de fidelidade ao rei os principais nobres, o Cardeal D. Afonso, pelo clero, e os vereadores de Lisboa em representação de todos os concelhos do reino. Terminado o ‘levantamento’ do rei, em que o estrado fazia as vezes do escudo, seguia-se a ‘aclamação’ propriamente dita. Esta consistia na repetição do pregão ‘real, real, real pelo muito alto e muito poderoso senhor El-rei D. João nosso senhor.’ Os presentes repetiram este brado, consumando assim a aclamação.


Todas as descrições salientam a grandeza da cerimónia e por outras fontes conhece-se a intervenção pessoal de D. João III no seu planeamento. Gil Vicente alude mesmo à inveja dos estrangeiros que murmuravam ‘mui ditoso é Portugal.’ Como refere Frei Luís de Sousa, ‘a idade de vinte anos … e sua natural gentileza acrescentavam graça e ar a tudo.’


 


Um triste entardecer


No entanto, como nos conta Ana Isabel Buescu, D. João III mal terminou a cerimónia voltou para o Paço da Ribeira, abandonou as vestes magníficas para voltar ao mais estrito luto e recolheu-se numa sala revestida de panos pretos. São estes panos que fecharam a cena. Acabara o teatro.


Fonte: https://mais.scml.pt/museu-saoroque/real-real-real-por-el-rei-de-portugal/

Aclamação do Rei D.Manuel II no jornal "O Algarve"


Ver Aqui

domingo, 20 de março de 2022

Aclamação do Rei D.Pedro V de Portugal


Quando sua mãe a rainha D.Maria II morreu de parto com apenas 34 anos no dia 15 de Novembro de 1853 o príncipe herdeiro D.Pedro tinha apenas 16 anos, pelo que teve que aguardar 2 anos pela subida ao trono quando atingisse a maioridade, tendo sido seu pai D.Fernando de Saxe.Coburgo Gotha assumido as funções de regente,

Assim a 11 de Setembro de 1855, 5 dias antes do seu dia de aniversário, por proposta de Rodrigo da Fonseca o ministro do Reino, era promulgado por D.Fernando o decreto que regulamentava a coroação de D.Pedro.

Assim a 16 de Setembro, nas Cortes, depois do discurso do príncipe regente, o cardeal-patriarca apresentou ao rei os evangelhos, que com o ceptro real na mão esquerda, e a mão direita sobre o missal proclamou o juramento prescrito no art 76º da Carta Constitucional dizendo

Juro manter a religião Católica, Apostólica e Romana, a integridade do Reino, observar e fazer observar a Constituição Política da Nação e mais leis do Reino e prover ao bem geral da Nação, quanto em mim couber.

O alferes-mor dirigia-se então a uma das janelas, gritou ao povo:

Real, real pelo muito alto e muito poderoso e fidelíssimo rei de Portugal o senhor D.Pedro V

Seguir-se-ia um Te Deum na Sé de Lisboa, uma parada militar no Terreiro do Paço, e à noite no Teatro D.Maria II a família real assitiu a Um auto de Gil Vicente de Almeida Garret.


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 Gravura da aclamação do Rei D.Pedro V.

Aclamação do Rei D.João V de Portugal


Como sustenta Veríssimo Serrão: “(…) era senhor de uma vasta cultura, bebida na infância com os Padres Francisco da Cruz, João Seco e Luís Gonzaga, todos da Companhia de Jesus. Falava línguas, conhecia os autores clássicos e modernos, tinha boa cultura literária e científica e amava a música. Para a sua educação teria contribuído a própria mãe, que o educou e aos irmãos nas práticas religiosas e no pendor literário (…) logo na cerimónia de aclamação se viu o Pendor Régio para a Magnificência. Era novo o cerimonial e de molde a envolver a figura de Dom João V no halo de veneração com que o absolutismo cobria as realezas”.


D. João V subiu ao trono de Portugal a 1 de janeiro de 1707, numa cerimónia de juramento em que participaram membros da monarquia e eclesiásticos. Segundo a descrição de D. António Caetano de Sousa, no ato de aclamação fez-se uso da arquitetura efémera construída para a cerimónia.


A arquitetura efémera em questão ocupava toda a largura do vão de 16 janelas da fachada do paço. A varanda estava magnificamente decorada com tapeçarias e ricos tecidos bordados, de várias cores. As colunas das galerias foram forradas de damasco carmesim com as bases de veludo da mesma cor. Panos de veludo verde com as armas reais bordadas a ouro e a prata caíam entre as colunas. O trono foi colocado debaixo de um dossel carmesim bordado a ouro com as armas reais. Foram igualmente expostas tapeçarias com as alegorias da Justiça e da Prudência, lembrando as virtudes próprias dos monarcas. D. João V encaminhou-se para o trono caminhando junto das grades da varanda “para que fosse visto pelo povo”.


Segundo os relatos oficiais, o rei estava “com opa real de tela de prata com flores de ouro, forrada de tela carmesim com as mesmas flores, vestido de veludo com abotoadura de diamantes, e no peito com o hábito da Ordem de Cristo em uma venera também de diamantes de grande valor, espadim da mesma sorte, e no chapéu uma joia que prendia a aba dele, tudo peças de grandíssima estimação”.


Grande parte da varanda estava ocupada pelos ministros, pelo Cabido da Sé, por membros da nobreza e pessoas do Conselho do Rei entre outros. Também participaram dois regimentos de infantaria e o povo que se espalhava por todo o Terreiro do Paço.


Fonte: https://mais.scml.pt/museu-saoroque/a-lisboa-de-d-joao-v-factos-e-curiosidades/

sexta-feira, 18 de março de 2022

Pedro Quartin Graça é o novo presidente da Causa Real


Pedro Quartin Graça foi eleito, no XXVI Congresso Monárquico da Causa Real, presidente desta associação, com 70% dos votos. A reunião juntou, no passado fim de semana, na Universidade de Évora, cerca de 130 delegados e observadores em representação da Reais Associações do continente e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, bem como da Juventude Monárquica Portuguesa.


O encontro magno destes representantes monárquicos - que contou com a presença do Duque de Bragança, D. Duarte Pio, na sua sessão de encerramento - serviu de pano de fundo para a eleição dos novos órgãos sociais da Causa Real para um mandato de três anos.


Na corrida estiveram frente a frente duas listas, acabando por vencer a lista representada por Pedro Quartin Graça, deputado entre 2005 e 2009, eleito nas listas do PSD ao abrigo do acordo de incidência política e parlamentar assinado com o MPT, na altura sob a liderança de Pedro Santana Lopes.


A moção “Monarquia é Liberdade”, defendida pela lista de Quartin Graça, obteve 70% dos votos. Assim, acabaram por ser eleitos os novos titulares dos órgãos sociais da Causa Real, sucedendo Pedro Quartin Graça a Teresa Côrte-Real como presidente da direção. José Aníbal Marinho, da Real Associação de Viana do Castelo e José Lobão, anterior Secretário-Geral, foram também eleitos, respetivamente, como vice-presidente e secretário-geral. 


Resultante destas eleições foi ainda eleito o antigo ministro Pedro Mota Soares como o novo presidente da mesa do congresso, bem como Joaquim Costa e Nora, que presidirá ao conselho de jurisdição nacional, e Sérgio Rau Silva, que encabeça o conselho fiscal do movimento.


A Causa Real, explica em comunicado, que é “uma associação que tem por objetivo a defesa do ideal monárquico, da instituição real e da restauração da Monarquia em Portugal”. “Foi fundada como Causa Real a 18 de dezembro de 1993 e antes, como Causa Monárquica, a 5 de outubro de 1911”, explica ainda esta instituição, que se divide em várias Reais Associações espalhadas por todo o país.


Fonte: https://sol.sapo.pt/artigo/765059/quartin-graca-e-o-novo-presidente-da-causa-real?fbclid=IwAR1LuGS2SQRkPEHs7_2rm0TBLV_8ApVvlbcgjhEM-IXshbAYugVCyTRZwLQ

Os Duques de Bragança concederam uma entrevista à revista "TV Guia" nos anos 90

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sábado, 12 de março de 2022

Fernando de Meneses, 2.º Conde da Ericeira, gentil-homem da câmara do infante D. Pedro (depois D. Pedro II)


Fernando de Meneses, 2.º Conde da Ericeira foi comendador das comendas de S. Pedro de Elvas e de Santa Cristina de Serzedelo, na Ordem de Cristo, 5.º senhor do Louriçal, etc.


Nasceu em Lisboa a 27 de novembro de 1614, e faleceu a 22 de junho de 1699. Era filho de D. Henrique de Meneses, 5.º senhor do Louriçal, e de D. Margarida de Lima, filha de João Gonçalves de Ataíde 4.º conde de Atouguia, e de D. Maria de Castro.


Aprendeu os preceitos da língua latina com frei Francisco de Santo Agostinho de Macedo, e as disciplinas matemáticas com os padres jesuítas Inácio Staford e Cristóvão Barro. Foi muito versado em geometria, geografia e arquitectura militar. Dedicando-se depois à carreira das armas, passou a Madrid, e obtendo licença do rei de Espanha e Portugal para militar em Itália, partiu com Francisco de Melo, conde de Assumar e governador de Milão, e apenas chegou a esta cidade, relacionou-se com os alunos da célebre palestra de Bellona e Minerva, Paulo Espínola, João de Caray Osório, Carlos Colona e Lelio Brancacio. Assistiu ás batalhas de Alexandria de Ia Palha e Valença, praças situadas junto do rio Pó, como também a diversos combates contra os franceses, em que sempre se distinguiu, como um bravo guerreiro.


Regressando à pátria, depois da aclamação de D. João IV, retirou-se para o Louriçal; ali o mandaram chamar o conde de Atouguia e João Rodrigues de Sá, camareiro-mor, para reconhecer o duque de Bragança, D. João, como rei de Portugal e seu soberano. D. João IV, reconhecendo o seu elevado valor militar, o encarregou de fortificar os portos marítimos contra a invasão dos. castelhanos, cuja missão prontamente executou, aumentando com maior número de artilharia o castelo de Outão de Setúbal, e levantando alguns fortes em Aveiro, Buarcos, Peniche e outros lugares marítimos. Nas batalhas de Montijo, Valverde e Barcarrota tornou-se distinto, e livrou a cidade de Évora do cerco que lhe tinha posto o general castelhano marquês de Legañez. Sendo governador da praça de Peniche, impediu o desembarque da armada inglesa naquele porto.


Em 1656 foi nomeado governador e capitão general de Tânger, para onde partiu em 17 de fevereiro, sendo recebido naquela praça com multiplicadas descargas de artilharia pelo seu antecessor D. Rodrigo de Lencastre. Neste governo houve-se com a sua reconhecida bravura, fazendo destemida guerra aos mouros, durante mais de cinco anos, obrigando 2vinte e cinco mil homens a levantarem o cerco daquela praça, deixando no campo grande quantidade de mortos. D. Fernando era o 2.º conde da Ericeira, por ter nele renunciado o título seu segundo tio, D. Diogo de Meneses (V. o artigo anterior).


Foi conselheiro de guerra, gentil-homem da câmara do infante D. Pedro, depois D. Pedro II, deputado da Junta dos Três Estados, vereador do Senado de Lisboa, regedor da Casa da Suplicação, e por fim conselheiro de Estado, rejeitando o governo do reino do Algarve e a vedoria da Fazenda, lugares que lhe foram oferecidos. Casou com D. Leonor Filipa de Noronha, dama da rainha D. Luísa de Gusmão, filha de Fernão de Saldanha, capitão-general da ilha da Madeira e comendador de S. Martinho de Santarém, e de D. Joana de Noronha, sua mulher.


Escreveu:


Vida e acções de el-rei D. João I, oferecida à memoria póstuma do Sereníssimo Príncipe D. Teodósio, Lisboa, 1677; Historia de Tânger, que compreende as noticias desde a sua primeira conquista até à sua última ruina, Lisboa, 1732; saiu póstuma, por diligência do editor Miguel Lopes Ferreira; Novena da Encarnação e exercícios espirituais para os devotos que a tomarem, Lisboa, 1682, sem o nome do autor; Historiarum Lusitanorum ab anno MDCXL ad MDCLVII, Lisboa, 1737, dois tomos; traz o seu retrato gravado a buril. Deixou outras obras de menos importância, em prosa e em verso, e muitos volumes manuscritos, que nunca se publicaram.


Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/ericeira2c.html

D. Leonor Filipa de Noronha, dama da rainha D. Luísa de Gusmão

D. Leonor Filipa de Noronha era filha de Fernão de Saldanha, capitão-general da ilha da Madeira e comendador de São Martinho de Santarém, e de D. Joana de Noronha.


Foi uma das damas da rainha D. Luísa de Gusmão,


Casou com D. Fernando de Meneses, 2.° Conde da Ericeira com quem teve uma filha: D. Joana Josefa de Meneses (1651-1709), 3.° Condessa da Ericeira que se casou com seu tio D. Luís de Meneses.

Casamento do Rei D.Carlos e da Rainha D.Amélia na revista "O Ocidente" em 1886


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Rei D.Carlos e Rainha D.Amélia na revista "O Ocidente" na véspera do seu casamento



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D. Duarte Pio de Bragança no curso de piloto de helicópteros, 1968, Tancos


Fonte: https://www.arquipelagos.pt/imagem/d-duarte-pio-de-braganca-no-curso-de-piloto-de-helicopteros-1968-tancos-portugal/

Casamento de D.Duarte e D.Isabel no "Diário de Notícias" em 1995

Esta é a capa do jornal "Diário de Notícias" sobre o casamento dos Duques de Bragança em 1995.


quarta-feira, 9 de março de 2022

Joaquim José de Andrada Pinto, Ajudante de Campo Honorário do Rei D. Luís I


Joaquim José de Andrada Pinto (* no Campo Grande, Lisboa a 10-1-1812,  † em Lisboa a 26-1-1894), Vice-Almirante (17-9-1885), foi Comandante-geral da Armada (de 17-9-1885 a 15-2-1890), Ajudante de Campo Honorário de D. Luís I, Rei de Portugal (por Ordem da Armada n.º 10 de 1886) e de D. Carlos I, rei de Portugal (decreto de 8-5-1890), agraciado com o título de Conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima (por decreto de 26-3-1866), Fidalgo Cavaleiro da Casa Real com 2000 réis de moradia por mês e 1 alqueire de cevada por dia, Comandante da Escola Prática de Artilharia Naval na «nau Vasco da Gama» (de 6 ou 15-6-1864 a 14-9-1865) e na «fragata D. Fernando» (de 15-9-1865 a 1-5-1866), Comandante para a estação Naval de Macau e Goa (de 4-1-1850 a 4-11-1853) e Director do Arsenal de Goa (de 25-11-1851 a 18-4-1852), Superintendente do Arsenal da Marinha (a 28-10 ou 5-11-1869), Intendente da Marinha da cidade do Porto e chefe do Departamento Marítimo do Norte (de 28-4- ou 8-5-1866 a 4-11-1869), Comandante da Bateria das Virtudes e da Pedreira (de 20-10-1832 a 14-12-1832), 1º Ajudante da Inspecção do Arsenal da Marinha (de 11-11-1859 a 13-8-1862), Vogal da Comissão encarregada da organização da Escola Naval (por portaria de 8-10-1847), Contra Almirante Efectivo (a 1-10-1873), Capitão de Mar-e-Guerra (a 19-9-1860), Capitão-de-Fragata (a 6-11-1851), Capitão Tenente (a 15-2-1844), 1º Tenente (desde 5-7-1833 e 22-11-1834), 2º Tenente (a 20-10-1832), Guarda da Marinha no Porto (a 3-9-1832), Aspirante a Guarda Marinha (a 20-9-1825), Curso de Matemática pela Academia da Marinha (entre 1828-1830), vogal da comissão encarregada de propor os meios para a emancipação dos escravos (portaria de 25-4-1848), vogal da comissão incumbidas de propor um novo sistema de vigilância e polícia nos portos e costas do Reino (por decreto de 10-6-1862), vogal da comissão incumbida de formular o regulamento para a execução do decreto de 20-10-1863, que criara uma medalha militar (por portaria de 27-10-1863), vogal suplente da Secção da Marinha do Supremo Conselho de Justiça Militar (por decreto de 8 ou 10-4-1863 até 26-11-1868), presidente da comissão para formular um regulamento para Superintendência do Arsenal da Marinha (por decreto de 19-11-1869), vogal da comissão encarregada de propor os meios de realizar os transportes dos vapores e lanchas construídos em Inglaterra com destino da Moçambique (portaria de 23-5-1871), presidente da comissão encarregada de propor a reforma do Serviço da Contabilidade da Marinha (por portaria de 18-6-1872), vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar (decreto de 4 ou 14-10-1873), vogal do Tribunal Superior de Guerra e Marinha (de 1-9-1875 até 17-9-1885), vogal da Junta Consultiva da Marinha e do Conselho de Instrução Naval (de 30-9-1885 a 22-2-1890), presidente da comissão encarregada de formar o novo plano de uniformes para a Armada (por portaria de 13-4-1886) e vogal da comissão para redigir um projecto de Código de Justiça Militar, destinado à Armada (decreto de 4-6-1886), etc., etc., etc..


Foi condecorado com a medalha de Guerra da Liberdade de D. Pedro e de D. Maria II com o algarismo n.º 4 (em 1863), medalha militar de Ouro da classe de Comportamento Exemplar (em 1887), Grã-Cruz e Comendador da Ordem de Avis (em 1885 e 1861), Comendador e Cavaleiro da Ordem de Torre-e-Espada pelos serviços prestados nas praças de Valença, Caminha e Viana do Castelo (em 1847) e de N. Sr.a da Conceição de Vila Viçosa, pelo bom serviço que prestou na divisão naval que transportou a rainha D. Maria Pia, de Génova para Lisboa (1862 e 1843), Cavaleiro da Ordem de Cristo (1828) e da Ordem italiana de S. Maurício e S. Lázaro, etc.[1].


Assentou praça como Cadete da Marinha, em Setembro de 1825, embarcando na nau D. João VI para o Rio de Janeiro, Brasil, com a delegação presidida pelo Duque de Lafões, a prestar juramento de fidelidade ao novo rei de Portugal, D. Pedro IV, a 25-6-1828. Em 1828, matriculou-se no Curso de Matemática da Real Academia da Marinha. Regressou ao Reino da mesma nau, completando o seu curso em 1830, ano em que emigrou para Inglaterra, donde partiu para a ilha Terceira, Açores, em 1832[2].


Fez parte da expedição organizada nos Açores contra D. Miguel, sendo um dos 7.500 bravos que desembarcou na praia do Mindelo, a 8-7-1832, entraram no Porto e, durante o aturado cerco, ocupou a bateria da Quinta da China em Quebrantões.


Em 20-10-1832, foi promovido a 2º Tenente e nomeado comandante da Bateria das Virtudes e da Pedreira, até 14-12-1832.


Mais tarde, comandando o brigue «Vouga» estacionado em Vigo, retomou às forças da Junta Revolucionária do Porto a praça de Valença, tendo antes defendido brilhantemente as praças de Caminha e de Viana dos Castelo, entre 15 a 17-2-1847. Aprisionado traiçoeiramente do seu comando pela guarnição «8 de Julho» que entrou no rio Douro, em 27-4-1847, quando desarmado saia dum compartimento da mesma embarcação, foi, com os restantes oficiais, encarcerado por ordem da Junta do Porto, na cadeia da Relação da mesma cidade, em 27-4-1847, sendo posto em liberdade em 27 ou 30-6-1847, após a dissolução da Junta Revolucionária. Recolheu ao vapor «Infante D. Luís», destinado a conduzir o Marechal – Duque da Terceira – e mais oficiais presos naquela cadeia, sendo depois absolvido em Conselho de Guerra, que requereu, em Agosto de 1847.


No final da década de 1840, desempenha as funções de Vogal da Comissão encarregada da organização da Escola Naval (por portaria de 8-10-1847) e também da comissão encarregada de propor os meios para a emancipação dos escravos (por portaria de 25-4-1848).


Em 4-1-1850, teve guia na corveta «Íris», como comandante para a estação Naval de Macau e Goa, até 4-11-1853. De 25-11-1851 a 18-4-1852, acumula o comando da corveta «Íris» com a direcção do Arsenal de Goa.


Em 16-4-1859, foi nomeado para o vapor «Mindelo», para conduzir tropa à Madeira, até 10-11-1859. Por portaria de 11-11-1859, foi nomeado 1º Ajudante da Inspecção do Arsenal da Marinha, até 13-8-1862.


Em 14-8-1862, como Capitão de Mar-e-Guerra, foi nomeado para embarcar na corveta «Estefânia», com o objectivo de ir buscar a Princesa D. Maria Pia de Sabóia, a Génova, e de levar o 1º Duque de Saldanha, a Roma.


A 3-9-1862, Francisco Soares Franco foi nomeado comandante da Divisão Naval, tomando para Ajudante de Ordens o primeiro-tenente João Ribeiro Viana, composta pelas corvetas «Bartolomeu Dias», «Estefânia» (onde embarcara Andrada Pinto) e «Sagres». Dois dias depois, Soares Franco, recebia do Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar as instruções para a viagem, em que se determinava que a esquadra deveria largar a 14, após ter recebido a bordo o 2º Marquês de Loulé – previamente nomeado Comissário Plenipotenciário do rei D. Luís junto de Vítor Manuel II – e mais comitiva, chegando a Génova ao fim da tarde de 20. No dia 29-9-1862, deu-se o regresso a Lisboa da rainha D. Maria Pia, na corveta «D. Estefânia», composta, além dos navios de guerra portugueses, pela esquadra italiana das fragatas «Maria Adelaide», «Duque de Génova» e «Garibaldi», sob o comando do Vice-Almirante Conde de Albini. A esquadra que conduzia a Rainha D. Maria Pia chegou a Lisboa a 5-10-1862. A corveta «Bartolomeu Dias», tendo a seu bordo a soberana portuguesa, fundeou em frente de Belém. Apenas no dia seguinte (6-10-1862), a rainha D. Maria Pia, desembarca do navio de guerra, tendo uma recepção no pavilhão do Terreiro do Paço, seguindo os régios noivos para a igreja de S. Domingos em Lisboa, onde se verificou o casamento por palavras presentes[3].


Durante o ano de 1862 e 1863, fez parte como vogal das comissões incumbidas de propor um novo sistema de vigilância e polícia nos portos e costas do Reino (por decreto de 10-6-1862) e vogal da comissão incumbida de formular o regulamento para a execução do decreto de 20-10-1863, que criara uma medalha militar (por portaria de 27-10-1863), exercendo também as funções de vogal suplente da Secção da Marinha do Supremo Conselho de Justiça Militar (por decreto de 8 ou 10-4-1863 até 26-11-1868).


Por portaria de 6 ou 15-6-1864, embarcou na nau «Vasco da Gama», como comandante da Escola Prática de Artilharia Naval, até 14-9-1865. Por guia de 15-9-1865, foi nomeado comandante da fragata «D. Fernando» e da Escola Prática de Artilharia Naval, até 1-5-1866.


Por decreto de 28-4- ou 8-5-1866, foi nomeado Intendente da Marinha da cidade do Porto e chefe do Departamento Marítimo do Norte, até 4-11-1869.


Por decreto de 28-10 ou 5-11-1869, foi nomeado Superintendente do Arsenal da Marinha e presidiu à comissão, nomeada no mês seguinte, para formular um regulamento para aquele estabelecimento do Estado, por decreto de 19-11-1869.


Por portaria de 2-3-1871, foi nomeado para inspeccionar os navios de guerra surtos no rio Tejo. Por portaria de 23-5-1871, foi nomeado vogal da comissão encarregada de propor os meios de realizar os transportes dos vapores e lanchas construídos em Inglaterra, com destino da Moçambique.


Por portaria de 18-6-1872, presidiu à comissão encarregada de propor a reforma do Serviço da Contabilidade da Marinha, com referência às contas dos responsáveis a bordo dos navios de guerra e nos Depósitos do Arsenal da Marinha, comissão que foi dissolvida a 8-10-1873.


Por decreto de 4 ou 14-10-1873, foi nomeado vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar e, em 1-9-1875, foi vogal do Tribunal Superior de Guerra e Marinha, na conformidade do § 2 do artigo 165 do Código de Justiça Militar, até 17-9-1885.


Por portaria de 5-6-1879, esteve incumbido de inspeccionar o Arsenal da Marinha, a Cordoaria Nacional e outros estabelecimentos dessa dependência, segundo o disposto no decreto de 30-6-1869.


Por decreto de 17-9-1885, ascende ao posto de Vice-Almirante e foi nomeado Comandante Geral da Armada, sendo exonerado deste cargo por decreto de 15-2-1890. Por decreto de 30-9-1885, foi nomeado vogal da Junta Consultiva da Marinha e do Conselho de Instrução Naval, sendo exonerado deste cargo por portaria de 22-2-1890. Por portaria de 29-1-1886, foi nomeado presidente da comissão para examinar o roteiro das costas e portos do Continente, formulado pelo 1º Tenente António Artur Baldaque da Silva. Por portaria de 13-4-1886, foi nomeado presidente da comissão encarregada de formar o novo plano de uniformes para a Armada. Por decreto de 4-6-1886, foi nomeado vogal da comissão para redigir um projecto de Código de Justiça Militar destinado à Armada.


Por portaria de 19-10-1886, foi nomeado presidente da comissão encarregada de apresentar um projecto de reorganização do pessoal e material da Marinha de Guerra, comissão que foi dissolvida por portaria de 26-10-1888.


Por decreto de 24-7-1889, foi nomeado vogal da comissão incumbida de habilitar o Governo com os elementos necessários para formular um programa em que se definissem, quanto possível, as condições necessárias para satisfazer as casas construtoras de novos navios de guerra e dos estabelecimentos de reparação e mais tarde de dar o seu parecer sobre as propostas apresentadas[4].


Por decreto de 27-2-1890, foi reformado no posto de Vice-Almirante, conforme o que dispunham os §§ 1 e 2 do artigo 10º e 14º da carta de lei de 22-8-1887 e do artigo 11 da carta de lei de 18-7-1889 e soldo anual de 2.160.000 réis, por decreto de 27-2-1890. Por decreto de 8-5-1890, foram-lhe conservadas as honras de Ajudante-de-Campo de D. Carlos I, honra que já gozava no tempo de D. Luís I, Rei de Portugal[5].


Como parlamentar, Joaquim José de Andrada Pinto foi eleito par do reino, por duas vezes, por estar englobado na categoria 6ª (General de Divisão ou Vice-Almirante) da lei de 3-5-1878: a primeira, em 2-12-1885, pelo colégio eleitoral de Faro, tomando posse a 12-1-1886; e a segunda, nas eleições de 30-3-1887, pelo distrito de Portalegre, tomando posse a 18-4-1887. Não fez qualquer intervenção na câmara dos Pares, mas pertenceu e presidiu à Comissão da Marinha, nos anos de 1886 e 1887[6].


Casou a 3-4-1856, com Maria Júlia Leopoldina de Andrade Calvet (* em Lisboa a 6-1-1819, † em Lisboa a 3-3-1910), filha de António Maria José Calvet (1759-1820), Cônsul Geral de Portugal no Porto de Trieste, e de Maria Benedita de Seixas e Andrade, de quem foram filhos: Joaquim de Andrada Pinto (* Mercês, Lisboa a 27-1-1859, † em Anjos, Lisboa a 28-3-1939); António de Andrada Pinto (* Mercês, Lisboa a 15-11-1860, † em Rio de Mouro, Sintra a 25-8-1916), que casou em S.ta Maria de Belém, Lisboa, a 22-5-1888, com Maria Domingas de Portugal de Queirós (* em S. Sebastião da Pedreira, Lisboa a 7-7-1868, † em 18-7-1918); e Maria do Carmo de Andrada Pinto (* Mercês, Lisboa a 16-7-1864, † em Anjos, Lisboa a 4-7-1951).


Fonte: https://www.revistamilitar.pt/artigo/1104

terça-feira, 8 de março de 2022

Reportagem de "O Ocidente" sobre o Infante D.Augusto

Em novembro de 1888 o Infante D.Augusto foi nomeado presidente dos juris da Exposição Industrial Portuguesa.




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Partida da Capital para as Termas de Vizela do Infante D. Augusto


Em 1884 o jornal Comércio de Guimarães, através do seu correspondente em Lisboa, dá conta da partida da Capital para as Termas de Vizela do Infante D. Augusto.
O Infante foi o oitavo filho nascido do casamento entre a rainha Maria II de Portugal e o rei consorte Fernando II de Portugal. O seu nome completo era Augusto Maria Miguel Gabriel Rafael Agrícola Francisco de Assis Gonzaga Pedro de Alcântara de Loiola de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança.


Fonte; https://www.digitaldevizela.com/2020/06/1-de-junho-e-historia.html

quinta-feira, 3 de março de 2022

Entrevista com a Marquesa de Unhão


Na Revista "ABC" de 2 de Fevereiro de 1922, o jornalista João D'Alpains fez uma entrevista à Sr.ª Marquesa de Unhão, a última Dama da Rainha D. Maria Pia, de que passo a transcrever algumas passagens mais significativas:

" No sue pequeno palácio da Rua da Vinha, a Sr.ª Marquesa de Unhão, que foi íntima da casa Real e que foi a última Dama da Rainha Senhora Dona Maria Pia, acede receber-nos, quando seu costume era não falar a jornalistas em coisas do passado, aquele passado que é na sua vida a maior saudade."


" Olhamos distraidamente uma fotografia que está junto de nós. S. M. a Rainha-Mãe e o Príncipe D. Luís Filipe, tendo apenas meses de idade. A expressão daquela criança enche-nos de tristeza. Ele está a sorrir, descuidado, ainda inconsciente, ainda sem pensar... naquela idade os homens deviam-lhe ser diferentes, diferentes daqueles, que, numa trágica tarde o derrubaram a tiro - ele era bom e tinha grande paixão pela sua terra. Noutro quadro, El-Rei D. Carlos, vestindo de caçador. Expressão sem ódio, expressão feliz, julgando bem todas as pessoas que o rodeavam, que privavam com ele.""



A Marquesa de Unhão


"A revolução apanhou-me em Sintra - revela a Sr.ª Marquesa de Unhão - S. M. a Rainha D. Maria Pia vivia muito adoentada nos últimos tempos; não recebia ninguém, a não ser pessoas que estavam de serviço. Sofria de uma grande tristeza, desde o assassinato do Rei e do Príncipe. Ela adorava o Príncipe. Começou a miná-la uma tristeza enorme, muitas vezes não queria ver ninguém, viviam mais consigo, acompanhava-a sempre a sua nostalgia. Sua Majestade era uma pessoa muito nervosa, irrequieta. Antigamente, não; vivia, sempre alegre, imensamente inteligente, era o desejo maior de todos que a rodeavam. Naquele dia da revolução, quando disseram para fugir, S. M. revoltou-se, que não fugiria, que antes tomaria o caminho de Lisboa. S. M. nunca sentiu medo. Ela sabia que o lugar do Rei era nos lugares de perigo e queria estar mais perto, mais junto dele."


-"Quando chegámos a Mafra ainda S. M. quis voltar para Lisboa.
Era Lisboa que ela desejava; nós não devíamos ter abandonado Lisboa; quase todos os boatos eram falsos e depois restava-nos o País inteiro. Sá a bordo é que soubemos que não íamos para o Porto! Sempre julgámos que, embarcando em Mafra, seguiríamos para o norte de Portugal! Não fizemos bagagem, S. M. tinha uma mala de mão, coisas mais necessária e eu, outra. Nenhuma das Senhoras Rainhas de Portugal desejava sair; custou-lhe muito a dar esse passo. Muito! A bordo  todos tinham a certeza que aquela retirada era por pouco tempo,  que nos chamariam logo. S. M. a Rainha Maria Pia tinha sempre a impressão que a estavam a chamar - que voltaria em breve. Nunca julgou morrer no seu exílio, longe de Portugal que Ela tanto amou"

-"Vivia cheia de saudades e recordava-se de tudo, pensava em tudo. Mais tarde , pedi um mês de licença, pretendia voltar a Portugal para tratar de questões particulares. Não estando em minha casa, perguntei a S. M. se deveria trazer as malas para Lisboa. S. M. disse-me que sim e depois chamou-me. «É melhor lavá-las, porque assim como nos expulsaram rapidamente podem chamar-nos».

-"Não assistiu, Sr.ª Marquesa, à morte de S. M.?"

-"Não! Estava em Portugal. Tive imenso desgosto. Se tivesse adivinhado..."

A Senhora Marquesa, antes de se retirar tem mais uma frase:

-"S. M. nunca se meteu na política. Foi mau! A Rainha-Mãe tinha perfeita noção de todos os problemas e conhecia as pessoas. Adivinhava se elas valiam ou não, pela expressão do seu rosto..."


Fonte: http://coisasdeantigamente-marr.blogspot.com/2013/06/d-maria-pia-1847-1911.html

Aclamação de D. João VI, rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve


Em 6 de fevereiro de 1818, D. João VI foi aclamado rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.  Embora governasse como rei desde 20 de março de 1816 quando faleceu sua mãe, a rainha D. Maria I, a Louca, a aclamação só aconteceu quase dois anos depois. João VI era o segundo filho de D. Maria I e, portanto, não esperava a vir a ser rei.


Porém, diante da morte prematura de seu irmão D. José de varíola, ele se tornou o sucessor imediato. D. João assumiu os negócios do reino em 1792, aos 25 anos de idade, devido ao afastamento da mãe por doença mental, ainda que a regência viesse a ser oficializada somente em 1799.


Por que a demora para a aclamação?:


Sucessor legítimo da Coroa portuguesa, já exercendo o poder de fato, D. João VI governou quase dois anos sem ser confirmado por consagração eclesiástica ou juramento dos estados – uma deliberada alteração de um protocolo tão antigo quanto fundamental para a representação do poder monárquico português.
Havia muita pressão para a volta da corte a Portugal. A elevação do Brasil a Reino Unido, em 1815, já havia sido considerada um ultraje para os súditos portugueses.


A possibilidade do rei ser aclamado fora de Lisboa seria inaceitável, um desprezo às raízes e tradições portuguesas. Pode-se pensar que, possivelmente, D. João VI, estava dividido entre duas partes concorrentes – Portugal e Brasil. Adiar a aclamação seria uma forma de acalmar os ânimos do outro lado do Atlântico (HERMANN, 2007, p.124).


A eclosão da Revolução Pernambucana, em 1817, teria sido mais uma causa para o adiamento da aclamação.


Mal debelada a revolução, seguiram-se os festejos para celebrar a chegada da princesa Leopoldina, arquiduquesa da Áustria e o casamento de D. Pedro, que também serviram de pretexto para adiar a aclamação.


Os portugueses queriam que D. João VI voltasse para a Europa para ser aclamado em Lisboa, mas, contrariando a vontade de seus conterrâneos, ele decidiu que seria aclamado rei no Rio de Janeiro, em 1818.


A cerimônia de aclamação:


D. João VI decidiu fazer uma grande festa e não poupou recursos. O local escolhido para o evento foi o Terreiro do Paço (ou Largo do Paço), no centro do Rio de Janeiro.


A preparação da cenografia da festa ficou a cargo do arquiteto Grandjean de Montigny, do pintor Jean-Baptiste Debret e do escultor Auguste-Marie Taunay.


Uma varanda foi construída em frente ao paço para garantir a visão da cerimônia pelas pessoas que estavam de fora.


Na entrada da varanda se encontravam os menestréis (músicos), que tocavam instrumentos como charamelas (instrumentos de sopro), trombetas e atabales.


Montigny ergueu um templo de Minerva, com suas estátuas: uma da deusa e outra do monarca.


Um arco do triunfo foi desenhado por Debret e projetado por Taunay. Cada lado do arco continha colunas da ordem coríntia com estátuas de Minerva e Ceres, representando a sabedoria e a prudência do rei, além da fartura da terra.


Um obelisco, de mais de 20 metros de altura e que “fingia ser granito”, foi erguido em meio à praça pública.


A cerimónia iniciou-se, pela manhã do dia 6 de fevereiro com a descida do rei para a varanda do palácio em direção ao átrio da Capela Real onde foi realizada uma missa.


Diante dele, seguiam o infante D. Miguel e o príncipe D. Pedro, e os grandes do reino, bispos e oficiais, todos com suas insígnias, ministros e o secretário de Estado do Reino.


Dentro do Paço, o rei dirigiu-se ao trono sob um rico dossel, onde recebeu o cetro de ouro em uma rica bandeja dourada, dando início à etapa mais importante: o juramento com a mão direita sobre o Evangelho.


Os príncipes D. Pedro e D. Miguel, acompanhados dos grandes do reino, juraram fidelidade ao rei. Seguiu-se o beija-mão. Ao final, D. João VI dirigiu-se em cortejo de volta à Capela Real para ouvir o Te Deum.


Sinos tocaram e fogos de artifício soavam do lado de fora do palácio. Negociantes iluminavam seus comércios com milhares de lampiões. A população dos trópicos nunca tinha presenciado nada tão suntuoso.


Depois, D. João VI surgiu na varanda com traje bordado a ouro, manto real de veludo carmesim e chapéu de plumas. Foi saudado pelo povo que se aglomerava na praça com numerosos vivas.

Segundo e terceiro dia de festejos:


No dia seguinte, o rei e a corte assistiram do palacete construído no campo de Santana, evoluções militares, corridas de touro, danças, bailado alegórico, recitação de poesias.


Pela cidade, luminárias ornamentavam os edifícios oficiais e as casas populares. O Campo de Sant’ana foi ornado por 102 pirâmides luminosas, “com brilho e gosto suficientes para ‘fazer pensar nas Tulherias e nos Campos Elíseos quando iluminados’”.


Houve disputa entre as corporações, repartições e residências particulares na elaboração das iluminações. Uma residência particular teria se ornado com 6 mil lampiões.


No terceiro dia, houve grande queima de fogos de artifício que culminou com a escrita, no ar, da expressão Viva El Rey, tendo o rei recebido toda a população para um solene beija-mão.


Para demonstrar magnanimidade, D. João VI concedeu perdão para vários acusados da Insurreição Pernambucana de 1817 (não para seus líderes), aposentadoria para antigos servidores públicos, e o tratamento de senhoria aos membros do Senado da Câmara do Rio de Janeiro.

Fonte: https://ensinarhistoria.com.br/linha-do-tempo/coroacao-de-d-joao-vi/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues