sábado, 12 de março de 2022

Fernando de Meneses, 2.º Conde da Ericeira, gentil-homem da câmara do infante D. Pedro (depois D. Pedro II)


Fernando de Meneses, 2.º Conde da Ericeira foi comendador das comendas de S. Pedro de Elvas e de Santa Cristina de Serzedelo, na Ordem de Cristo, 5.º senhor do Louriçal, etc.


Nasceu em Lisboa a 27 de novembro de 1614, e faleceu a 22 de junho de 1699. Era filho de D. Henrique de Meneses, 5.º senhor do Louriçal, e de D. Margarida de Lima, filha de João Gonçalves de Ataíde 4.º conde de Atouguia, e de D. Maria de Castro.


Aprendeu os preceitos da língua latina com frei Francisco de Santo Agostinho de Macedo, e as disciplinas matemáticas com os padres jesuítas Inácio Staford e Cristóvão Barro. Foi muito versado em geometria, geografia e arquitectura militar. Dedicando-se depois à carreira das armas, passou a Madrid, e obtendo licença do rei de Espanha e Portugal para militar em Itália, partiu com Francisco de Melo, conde de Assumar e governador de Milão, e apenas chegou a esta cidade, relacionou-se com os alunos da célebre palestra de Bellona e Minerva, Paulo Espínola, João de Caray Osório, Carlos Colona e Lelio Brancacio. Assistiu ás batalhas de Alexandria de Ia Palha e Valença, praças situadas junto do rio Pó, como também a diversos combates contra os franceses, em que sempre se distinguiu, como um bravo guerreiro.


Regressando à pátria, depois da aclamação de D. João IV, retirou-se para o Louriçal; ali o mandaram chamar o conde de Atouguia e João Rodrigues de Sá, camareiro-mor, para reconhecer o duque de Bragança, D. João, como rei de Portugal e seu soberano. D. João IV, reconhecendo o seu elevado valor militar, o encarregou de fortificar os portos marítimos contra a invasão dos. castelhanos, cuja missão prontamente executou, aumentando com maior número de artilharia o castelo de Outão de Setúbal, e levantando alguns fortes em Aveiro, Buarcos, Peniche e outros lugares marítimos. Nas batalhas de Montijo, Valverde e Barcarrota tornou-se distinto, e livrou a cidade de Évora do cerco que lhe tinha posto o general castelhano marquês de Legañez. Sendo governador da praça de Peniche, impediu o desembarque da armada inglesa naquele porto.


Em 1656 foi nomeado governador e capitão general de Tânger, para onde partiu em 17 de fevereiro, sendo recebido naquela praça com multiplicadas descargas de artilharia pelo seu antecessor D. Rodrigo de Lencastre. Neste governo houve-se com a sua reconhecida bravura, fazendo destemida guerra aos mouros, durante mais de cinco anos, obrigando 2vinte e cinco mil homens a levantarem o cerco daquela praça, deixando no campo grande quantidade de mortos. D. Fernando era o 2.º conde da Ericeira, por ter nele renunciado o título seu segundo tio, D. Diogo de Meneses (V. o artigo anterior).


Foi conselheiro de guerra, gentil-homem da câmara do infante D. Pedro, depois D. Pedro II, deputado da Junta dos Três Estados, vereador do Senado de Lisboa, regedor da Casa da Suplicação, e por fim conselheiro de Estado, rejeitando o governo do reino do Algarve e a vedoria da Fazenda, lugares que lhe foram oferecidos. Casou com D. Leonor Filipa de Noronha, dama da rainha D. Luísa de Gusmão, filha de Fernão de Saldanha, capitão-general da ilha da Madeira e comendador de S. Martinho de Santarém, e de D. Joana de Noronha, sua mulher.


Escreveu:


Vida e acções de el-rei D. João I, oferecida à memoria póstuma do Sereníssimo Príncipe D. Teodósio, Lisboa, 1677; Historia de Tânger, que compreende as noticias desde a sua primeira conquista até à sua última ruina, Lisboa, 1732; saiu póstuma, por diligência do editor Miguel Lopes Ferreira; Novena da Encarnação e exercícios espirituais para os devotos que a tomarem, Lisboa, 1682, sem o nome do autor; Historiarum Lusitanorum ab anno MDCXL ad MDCLVII, Lisboa, 1737, dois tomos; traz o seu retrato gravado a buril. Deixou outras obras de menos importância, em prosa e em verso, e muitos volumes manuscritos, que nunca se publicaram.


Fonte: https://www.arqnet.pt/dicionario/ericeira2c.html

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