A música ocupava uma parte significativa da vida da Rainha D. Maria Pia e do Rei D. Luís.
Ora leia o que nos conta Thomaz de Mello Breyner:
“A Rainha a Senhora D. Maria Pia não se conformava com os dois pianos que havia no Paço de Mafra e tinha razão. Um d’elles era um piano de meza, próximo parente das espinetas e dos cravos de penna. Tinha o som d’huma guitarra má. O outro era um Pleyel vertical de marca pequena e já muito estafado. Ia portanto do Paço d’Ajuda um magnífico Erard de cauda grande, que para não sofrer com os baldões d’huma carroça era levado a pau e corda por oito homens de confiança que largavam ao anoitecer direitos a Monsanto, Bellas, Serra da Carregueira e Chelleiros sempre em passo certo e cadenciado mas parando e beberricando nas tabernas abertas toda a noite para regalo dos viandantes. Às vezes chovia agua se Deus a dava. O piano nada sofria porque ia coberto com oleados mas os pobres portadores é que chegavam ao seu destino tão encharcados que era preciso po-los a secar quasi dentro das enormes chaminés da cosinha fradesca. Tudo isto eu vi. Ao amanhecer estavam em Mafra, tendo percorrido perto de quarenta Kilometros. (…) A-pezar-de todas as cautelas (…) era, pelo sim pelo não, mandado ir de Lisboa um afinador.” in. Memórias do Professor Thomaz de Mello Breyner, 4.º Conde de Mafra, 1869-1880, p. 91
Fotografia do piano Érard (marca francesa de pianos fundada por Sébastien Érard 1752 –1831), que pode ser visto na Sala de Música, do piso térreo.
Esta marca de piano foi, e é, considerada uma das melhores do mundo, a preferida de pianistas virtuosos, como Felix Mendelssohn (1809-1847) e Franz Liszt (1811-1886).

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