quinta-feira, 2 de julho de 2026

Francisco Gomes da Silva, secretário particular do Rei D. Pedro IV

Francisco Gomes da Silva (Lisboa, 22 de setembro de 1791 — Lisboa, 30 de dezembro de 1852), dito Chalaça, foi um político português, secretário particular e confidente do primeiro imperador do Brasil, D. Pedro I.

Francisco Gomes da Silva nasceu em Lisboa, filho bastardo do fidalgo Francisco José Rufino de Sousa Lobato, barão e mais tarde visconde de Vila Nova da Rainha, e de Maria da Conceição Alves, que trabalhava como sua empregada doméstica.  Foi criado por Antonio Gomes, ourives, depois que seu pai se casou com Mariana Leocádia Leitão e Carvalhosa, filha do Visconde de Santarém.

Francisco Gomes da Silva foi enviado ao seminário de Santarém para ser ordenado sacerdote. Em 1807, deixou o seminário, reencontrou o pai adotivo e navegou para o Brasil junto com a família real.

No Rio de Janeiro, Antonio Gomes abriu uma loja na rua Direita (atual rua Primeiro de Março). Chalaça começou a ajudá-lo, mas logo sua vida noturna boêmia e desregrada o levou a uma briga séria com seu “pai”. Saiu de casa e abriu uma barbearia na Rua do Piolho (atual Rua da Carioca), onde trabalhou como cirurgião, dentista e sangrador, aplicando sanguessugas e ventosas. 

Em 1810 foi contratado pela família real como servo do palácio e como ourives oficial da corte portuguesa. Lá conheceu o príncipe regente D. Pedro, acompanhando-o em folias, bebendo e arranjando mulheres para seus diversos negócios. A sua personalidade viva e disposição valeram-lhe o apelido de “Chalaça”. Gomes da Silva era dono ou coproprietário de diversas tabernas e pousadas no Rio de Janeiro, uma delas com Maria Pulquéria, esposa de um corneteiro do exército e sua amante.

Em 1817, Gomes da Silva foi expulso do serviço real após ser apanhado a seduzir uma dama da corte. Após o regresso de D. João VI a Portugal e a permanência de D. Pedro no Brasil, foi reintegrado ao serviço real.

Juntou-se à comitiva de Pedro em sua viagem a São Paulo em 7 de setembro de 1822, data da proclamação da Independência do Brasil . A sua formação, boa caligrafia e fluência em vários idiomas levaram Pedro a escolhê-lo como seu secretário pessoal. 

Com Pedro I proclamado Imperador do Brasil, Chalaça tornou-se tenente de sua guarda de honra em 1823, sendo posteriormente promovido a capitão. Chalaça foi um dos vários cortesãos mais próximos do Imperador, parte de um círculo interno, o chamado "gabinete secreto" . Ajudou a redigir a primeira constituição brasileira , em 1824. 

Em 25 de abril de 1830 partiu para o Reino das Duas Sicílias como embaixador plenipotenciário do Império. A nomeação fora armada por seus adversários, entre os quais não era figura menor o Marquês de Barbacena, que acabava de trazer da Europa a nova esposa do Imperador. Na verdade, D. Pedro I, entregue às delícias do segundo casamento em 1830 com a bela D. Amélia de Leuchtenberg, tomou a resolução de o fazer sair com o chamado "Gabinete Secreto", onde figurava ainda outro alcoviteiro e valido, João da Rocha Pinto.

Chalaça jamais voltaria ao Brasil. Foi uma derrota temporária. A apreciação dos brasileiros sobre ele é que era corrompido e corruptor, pagando jornais como a Gazeta do Brasil para insultarem os políticos liberais, sem escrúpulos, recadeiro de seu amo junto de concubinas, insolente, antipático ao Brasil e aos brasileiros. Comenta Otávio Tarquínio de Sousa: «Mas não era o ignorante, o servandija que se quis fazer dele. Não lhe faltava, ao contrário, certa finura, certa manhã no desempenho das incumbências que lhe competiam; sabia escrever, redigia até com bastante propriedade de expressão. E foi sempre fiel ao imperador, antes e depois de sua desgraça.»

Na Europa, Chalaça escreveu três livros (dois deles destinados a prejudicar a imagem de seu inimigo, o Marquês de Barbacena - entre eles A Exposição do Marquez de Barbacena) e um autobiográfico, Memórias oferecidas à nacção brazileira, editado em Londres em 1831.

Acaba sendo chamado a Portugal por D. Pedro, em 1833, para ser secretário de estado da casa de Bragança. Em 1834, morreu D. Pedro, deixando viúva sua segunda esposa, Dona Amélia.

Em 1851, velho e doente, Chalaça faz a partilha de seus bens entre os filhos legítimos e ilegítimos. Mesmo após tantos anos de luxo e ostentação, com dezenas de amantes e viagens de recreio, ainda deixa uma fortuna colossal, quatro vezes maior, por exemplo, do que a de sua oportunista sócia, a Marquesa de Santos.

Na tarde de 30 de dezembro de 1852, o Chalaça morreu em Lisboa, no Hotel Bragança, construído no local do antigo palácio dos Duques de Bragança destruído pelo terremoto de 1755, tendo seu filho e biógrafo registrado-lhe as últimas palavras durante a extrema-unção: "Padre José, eu amei demais as mulheres e o dinheiro…". Fonte:BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario bibliographico brazileiro. Typographia Nacional, Rio de Janeiro, 1893.

Fonte: Facebook Brazil Imperial 

https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/quem-foi-chalaca-um-importante-nome-do-brasil-imperio-e-amigo-de-dom-pedro-i.phtml

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-61155049

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