Para assinalar o seu 30º aniversário no mês passado, Afonso concedeu uma entrevista à revista francesa Point de Vue.
Para ler a entrevista clique aqui.
Tradução da entrevista:
Vossa Graça, o senhor celebrou recentemente o seu 30º aniversário. Houve alguma comemoração organizada com familiares e amigos?
Tudo começou no final da tarde de 25 de março, quando os meus colegas da Diretoria de Prevenção da Poluição Marinha me trouxeram um bolo e começaram a cantar na frente de todos (risos). Naquela mesma noite, a minha mãe, o meu irmão e o meu tio jantaram comigo em Peniche, na costa oeste, onde eu estava para um exercício da Marinha. Finalmente, quatro dias depois, tive a grata surpresa de muitos amigos aparecerem para almoçar com a minha família.
O que significa para você ser um Bragança? E um príncipe da Beira?
Trata-se, acima de tudo, de crescer com uma profunda consciência das obrigações que acompanham o nosso nome. Desde muito jovens, o meu irmão, a minha irmã e eu entendemos que não se tratava apenas de uma história de família, mas sim de uma história intimamente ligada à de Portugal. Durante séculos, a Casa de Bragança esteve associada à identidade do país. Príncipe não é apenas um título. É uma lembrança de uma longa tradição e uma responsabilidade que todos devem honrar da melhor maneira possível.
Um dia, você irá suceder ao seu pai como Duque de Bragança e chefe da casa. Como você imagina esse papel?
Esta é uma responsabilidade que levo muito a sério. Tive a sorte de crescer seguindo o exemplo do meu pai, que dedicou grande parte da sua vida a servir Portugal e a preservar o património da nossa família. Observá-lo ensinou-me que este papel tem menos a ver com títulos do que com compromisso e sentido de dever. Quando chegar a altura, espero desempenhar este papel com a mesma mentalidade.
Que tipo de relacionamento você tem com a sua família imediata?
A família sempre foi um dos pilares mais importantes da minha vida. Os meus pais têm sido uma fonte preciosa de apoio e orientação. Aprendi muito com eles. Morando com o meu irmão Dinis, costumamos jantar juntos ou passar um tempo conversando. Já com a minha irmã Maria Francisca e o marido dela, sempre organizamos passeios juntos. Como eles moram a apenas algumas estações de metro de distância, muitas vezes terminamos com um jantar em casa, só nós quatro. Há muito carinho entre nós.
Você é solteiro?
Sim, embora eu sempre tenha acreditado que as coisas mais importantes da vida tendem a aparecer quando você menos espera. Então, continuo aberto à ideia de que a pessoa certa pode chegar na hora certa.
O que você valoriza na vida?
História e geopolítica sempre me fascinaram, e recentemente descobri uma paixão pela culinária. Também gosto de atividades ao ar livre, como corrida em trilha e acampamento, e tudo o que tenha a ver com o mar. Seja na floresta, num veleiro ou na água, adoro estar em contato com a natureza.
Com um mestrado em economia marítima pela Universidade Nova de Lisboa, você trabalha na Direção de Prevenção da Poluição Marinha da Marinha Portuguesa. O que exatamente envolve o seu trabalho diário?
O meu trabalho concentra-se principalmente no monitoramento e prevenção da poluição, bem como na compreensão dos marcos legais que sustentam a proteção do meio ambiente marinho. Também me proporciona a oportunidade de observar como diferentes instituições, da Marinha às organizações marítimas nacionais e internacionais, cooperam para prevenir e responder a incidentes de poluição. Essa experiência permite-me conectar os meus estudos universitários com a realidade da proteção do meio ambiente marinho. No ano passado, participei numa expedição à Antártica.
Qual foi o objetivo dessa missão? O que você ganhou com ela?
O principal objetivo era medir a espessura das camadas de gelo usando aeronaves para mapeá-las com mais precisão. A bordo de um quebra-gelo, as equipes realizaram diversas tarefas: monitoramento meteorológico, pesquisa de sedimentos e estudos da concentração de microplásticos na água. Planeada para dois meses, a missão acabou durando três, devido principalmente ao mar agitado e às concentrações de gelo espesso maiores do que o esperado. Embora muito exigente, essa experiência única e profundamente enriquecedora me permitiu testemunhar a grandiosidade e a fragilidade de um dos poucos lugares ainda intocados pela atividade humana. Se a oportunidade surgir, retornarei com prazer para uma expedição semelhante.
Você também é patrono do Prémio Príncipe da Beira, concedido a cientistas com menos de 40 anos que estudam biomedicina. Por que é importante para você apoiar esses jovens?
Lançado em 2015, este prémio visa promover a excelência científica entre jovens pesquisadores e destacar projetos inovadores nas áreas de biomedicina e saúde. Essa distinção geralmente é acompanhada de apoio financeiro para ajudar os contemplados a dar continuidade aos seus trabalhos. Estou convencido de que a próxima geração de cientistas ajudará a moldar o futuro da ciência, ao mesmo tempo que abordará muitos dos desafios que as nossas sociedades enfrentam hoje.
Onde você se vê daqui a dez anos?
Embora seja sempre difícil prever exatamente para onde a vida nos levará, espero continuar a prosperar tanto pessoal quanto profissionalmente, mantendo-me, naturalmente, comprometido com as áreas que mais me importam, como as relacionadas ao mar e à proteção ambiental. Ao mesmo tempo, continuarei a seguir os passos do meu pai e a assumir gradualmente maiores responsabilidades dentro da nossa família.





Sem comentários:
Enviar um comentário