O futuro rei de Portugal (sem trono) faz 30 anos! mas não vai fazer grandes festas por respeito às tragédias que afetaram o país. O sucessor de D. Duarte Pio, pretendente ao trono de Portugal, é apaixonado pelo mar, pratica vela, surf e mergulho e não tem namorada.
Esta quarta-feira, 25, é dia de festa em casa dos duques de Bragança. D. Afonso, o primogénito de D. Duarte e D. Isabel, faz 30 anos. Mas apesar de ser uma idade marcante, o príncipe da Beira não vai fazer grandes comemorações. “Este ano, tendo em conta todos os desastres que aconteceram em Portugal, não me faz sentido organizar uma grande festa. Haverá certamente outras oportunidades”, revela à SÁBADO.
Quando o referem como “um dos solteiros mais cobiçados da realeza”, o também duque de Barcelos diz que encara isso “com humor e naturalidade”: “Não dou grande importância. Até porque, nas revistas de social, já me ‘casaram’ com várias pessoas”. Mas acha “lisonjeiro” quando lhe dizem que é parecido com D. Pedro II, o último imperador do Brasil. “Como descendo dele através da minha avó materna, é natural que tenha herdado alguns traços. Existe até uma fotografia curiosa que circula nas redes sociais em que aparecemos ambos de perfil e onde se notam de facto algumas semelhanças”, explica.
O principal papel de um herdeiro de uma casa real é garantir descendência, mas D. Afonso assume que ainda não será para já: “O casamento é algo importante na vida de qualquer pessoa. Acredito, no entanto, que essas decisões devem surgir no momento certo e de forma natural. Por agora, continuo a minha vida de solteiro”. O pai, D. Duarte, de 80 anos, casou-se com D. Isabel de Herédia aos 49.
Talvez por desde que nasceu estar a ser preparado para suceder ao pai como chefe da Casa Real Portuguesa, o discreto D. Afonso é dos três irmãos (Maria Francisca e Dinis), o mais reservado. Embora tenha cada vez mais uma vida pública, evita a exposição e concordou falar com a SÁBADO por e-mail. Mas o que tem andado a fazer e quais os projetos de Afonso, que é o primeiro na linha de sucessão ao trono de Portugal? Depois de ter frequentado o St. Julian’s, em Carcavelos, e a The Oratory School, em Inglaterra (um colégio interno católico com uma forte componente de formação militar), o príncipe da Beira, licenciou-se em Ciências Políticas e Relações Internacionais, na Universidade Católica. Apaixonado pelo mar e pela biologia marinha, escolheu o mestrado em Direito e Economia do Mar e prepara-se agora para defender a tese sobre proteção do meio marinho em Portugal.
Sem protocolos
No ano passado, D. Afonso conta que esteve envolvido num projeto de circum-navegação pela Antártida, promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul: “Foi uma expedição marítima que durou cerca de três meses, em que tive a oportunidade de visitar várias estações científicas, estudar a fauna local e conhecer cientistas e biólogos de várias partes do mundo”. Ao mesmo tempo, diz que está a desenvolver um trabalho com a Marinha na área do Direito e Economia do Mar, “em matérias relacionadas com o ordenamento do espaço marítimo, atividades marítimas, projetos e instrumentos de gestão e fiscalização”. Paralelamente, conta que tem colaborado em “projetos ligados ao património familiar, à cultura e a iniciativas associativas, nomeadamente na nossa casa em Sintra, que estará parcialmente aberta a visitas num futuro próximo”.
Praticante de vela desde pequeno, D. Afonso também é adepto de outros desportos aquáticos, como surf, mergulho e caça submarina. Pela forte ligação ao mar, diz ter como referências alguns monarcas portugueses: “D. João II, pela forma como impulsionou as descobertas que permitiram a expansão do império português, e o Rei D. Carlos, que promoveu várias campanhas de oceanografia com o objetivo de desenvolver o conhecimento científico sobre o Atlântico”.
O filho mais velho do pretendente ao trono de Portugal passou pelos três ramos das Forças Armadas, que afirma ter sido uma “experiência extraordinária”, e onde construiu “boas amizades”. Uma das vantagens de ser membro da realeza em Portugal é poder fazer uma vida normal, sem ter de obedecer a protocolos rígidos ou andar com guarda-costas. D. Afonso – que não é muito ativo nas redes sociais – costuma fazer “programas simples” com o seu grupo de amigos: “Gostamos de explorar o interior do país e também vamos muito para a Caparica ou para o Algarve”. Visitam museus, vão a concertos e ao cinema – Hamnet foi o último filme que viu e que considera “muito bem interpretado”.
Como futuro Chefe da Casa Real portuguesa, D. Afonso tem acompanhado cada vez mais o pai e representado a Casa Real com maior frequência, o que diz ser um “trabalho intenso, embora muitas vezes discreto”. Uma das últimas viagens que fizeram foi ao Bangladesh, a convite da Fundação London Tea Exchange, em novembro – numa mensagem clara de solidariedade aos imigrantes daquele país em Portugal, na altura dos polémicos cartazes do Chega, com a frase “Isto não é o Bangladesh” .

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