domingo, 6 de abril de 2025

Infanta D. Filipa de Bragança visita Portugal (1938)

A 27 de outubro de 1938, a infanta D. Filipa de Bragança, neta do rei absolutista D. Miguel, chegou pela primeira vez a Portugal para conhecer a terra de onde os seus antepassados haviam sido expulsos.


A Senhora Infanta Dona Filipa de Bragança, irmã do Senhor Dom Duarte Nuno, fez uma primeira visita a Portugal, tendo percorrido várias zonas do País e no Porto, onde se hospedou na casa dos Condes de Campo Belo e dali anunciou uma visita a casa dos meus Avós, isto em homenagem à figura do meu Bisavô José Joaquim Pestana da Silva, chefe legitimista da Região Norte e grande amigo do Senhor Dom Miguel II.

 

A casa engalanou-se e fizeram-se obras para a receber; abriram-se os salões e convidaram-se os monárquicos do Norte para uma grande recepção.

 

Teve lugar uma missa na capela anexa ao palacete, celebrada pelo capelão D. Gaspar Pizarro de Portocarrero e à qual a Senhora Infanta assistiu em lugar destacado.

 

Depois disso, seguiu-se um lauto pequeno-almoço servido na sala de jantar em que brilhavam as pratas e as louças de Sèvres e da China.

 

Foi com grande espanto que eu vi o meu Avô com uma cigarreira de ouro e tartaruga, oferecer uns cigarros à neta de Dom Miguel I, o que naquela altura cheirava quase a um escândalo porque as senhoras não fumavam.

 

A Senhora Dona Filipa subiu depois aos salões (lindíssimos, com lustres franceses, damascos, tapetes de Aubusson e porcelanas da China) e foi precisamente ao cimo da monumental escadaria e quando se preparava para entrar num dos salões em que era aguardada pela quase totalidade da comunidade miguelista do Norte, que apareceu o Senhor Padre Cruz para a cumprimentar, já muito velhinho e com a sua inseparável capa sobre a batina.

 

Avançou para a Infanta e tentou ajoelhar-se para lhe beijar a mão, mas ficou com os dois joelhos em terra diante dela. Esta fez o mesmo, de forma que ficaram ambos de joelhos um para o outro, numa pose que só foi pena não ter sido imortalizada por um cliché fotográfico oportuno.

 

Esta recepção foi, no entanto, descrita em livro pelo Conde de Alvéolos, livro esse intitulado – "Entre Castelos e Quinas".


 

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