quarta-feira, 23 de abril de 2025

Duque de Bragança no táxi


"O Rei no Meu Táxi"



Era uma tarde tranquila em Carcavelos. O sol que raiou bem forte todo o santo dia começava a se despedir, pintando o céu com tons de laranja e rosa, quando recebi uma chamada no meu táxi.

O aparelho tocou e sem pensar duas vezes, aceitei. Um serviço para uma corrida até São Pedro de Sintra surgiu. Afinal, Sintra é sempre um destino agradável, e bem fresquinho especialmente ao final da tarde.



Cheguei ao local combinado, um prédio discreto mas elegante, e logo vi um homem meia altura, de cabelos bem cuidados e postura ereta, acenando para mim. Ele carregava uma pequena pasta de pele bem polida e vestia um casaco casual, mas algo na sua presença me chamou a atenção. Parecia... familiar. Quando ele entrou no táxi, sentou-se no banco de trás e disse, com um sorriso afável:



— Boa tarde. Sintra, por favor. São Pedro de Sintra, para ser mais exato.



— Claro, sem problema — respondi, ajustando o espelho retrovisor para olhá-lo melhor. Foi então que o reconheci. Era Dom Duarte Pio de Bragança, o pretendente ao trono de Portugal. Tentei disfarçar a surpresa, mas ele percebeu.



— Já me reconheceu, não foi? — ele perguntou, rindo baixinho.



— Sim, Sua Alteza... — comecei, sem saber bem como me dirigir a ele.



— Por favor, Dom Duarte basta — interrompeu, com um gesto despretensioso. — Hoje sou apenas um passageiro a caminho de Sintra.



Aos poucos, fui me soltando. Ele era incrivelmente acessível e conversador. Começamos a falar sobre o trânsito, o tempo, e então ele fez uma pergunta inesperada:



— Tem uma garrafinha de água fresquinha? — ele brincou, com um sorriso maroto.



Eu ri, achando que era uma piada, mas ele continuou:



— Estou a falar a sério. Adoro uma água bem fresca , especialmente numa tarde como esta. Se tiver uma, partilhamos.



Confesso que fiquei um pouco sem reação, mas acabei por rir e responder:



— Infelizmente, não tenho água no táxi, mas se quiser, podemos parar num café pelo caminho.



— Não é preciso — ele respondeu, rindo. — Era só para ver a sua reação. Mas agradeço a disposição.



A conversa fluiu naturalmente. Ele contou-me histórias fascinantes sobre a sua família, os tempos de infância em Sintra, e até brincou sobre como seria se Portugal voltasse a ser uma monarquia.



— Imagina só — ele disse, olhando pela janela. — Eu podia andar por aí de coroa, mas acho que assustava os turistas.



— E o trânsito? — perguntei, entrando na brincadeira. — Acha que os carros paravam para o rei passar?



— Claro que não! — ele respondeu, rindo. — Até rei apanha engarrafamentos. Mas talvez tivesse direito a uma faixa exclusiva... ou a um táxi especial.



Foi então que ele fez um pedido inusitado:



— Sabe, tenho uma ideia. Que tal tirarmos uma selfie? Para provar que o rei anda de táxi como qualquer mortal.



— Com todo o respeito, Dom Duarte, mas isso seria uma honra — respondi, ainda surpreso.



Ele pegou o meu telemóvel e posicionou-se ao meu lado, enquanto eu segurava o volante. Tirámos não uma, mas várias selfies, com ele fazendo caras engraçadas e até imitando um motorista de táxi.



— Pronto, agora já pode dizer que transportou o rei de Portugal — ele brincou, devolvendo-me o telemóvel.



Chegámos a São Pedro de Sintra pouco depois. Ele agradeceu pela corrida e pela conversa, e antes de sair, deixou-me uma gorjeta generosa e um conselho:



— Continue a escrever as suas histórias, meu caro. O mundo precisa de mais pessoas que saibam ouvir e contar boas histórias.



E assim, Dom Duarte Pio de Bragança desceu do meu táxi, deixando-me com uma memória que jamais esquecerei. Quem diria que, numa tarde comum, eu transportaria o futuro rei de Portugal e ainda sairia com umas selfies para contar a história?

Os meus netos vão adorar...



Fernando Pacheco



Formidável história.

Grand Seigneur o nosso Rei.

Tem a grandeza natural dos grandes Senhores.

Viva S.A.R. o Senhor Duque de Bragança!

Viva El Rey !

 

Fonte: Facebook Casa Real Portuguesa

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