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A história dos Calheiros está ligada à história da fundação de Portugal em 1143, e desde os tempos imemoriais ao Solar que traz o seu nome, o Paço de Calheiros.
Francisco de Calheiros e Menezes é o actual representante da familia Calheiros, chefe do nome de armas de Calheiros, Senhor do Solar de Calheiros e representante do Título de Conde de Calheiros.
A Honra dos Calheiros foi confirmada por D. Diniz e mais tarde por D. Afonso IV em 1336, altura em que já a família prestava grandes serviços ao Reino.
Já no séc. XII existem referências a Rodrigo Fernandes de Calheiros, companheiro de armas de Gonçalo Eanes da Nóvoa, Mestre da Ordem de Calatrava. Nesta época vive também Fernão Rodrigues de Calheiros, ilustre trovador, e percussor da poesia portuguesa.
Corriam por estes anos as guerras com a Coroa de Castela e a Martim Martins Calheiros é confiada a Alcaidaria do Castelo da Guarda, praça militar importantíssima no xadrez militar. Em 1357 é lhe confiada também a Alcaidaria do Castelo de Sabugal e de Penamacor, nomeações que mais tarde foram transmitidas para o seu filho Vasco Pires de Calheiros.
Em 1385 El-Rei Dom João I vem ao Minho, onde o Condestável D. Nuno Alvares Pereira lidera a tomada a praça de Ponte de Lima. Lopo Gomes de Lira, Alcaide de Ponte do Lima, havia tomado o partido de Espanha. Garcia Lopes de Calheiros, tem um papel decisivo na conquista da praça de Ponte de Lima e do Castelo do Neiva e é considerado um dos grandes heróis da crise dinástica, tendo sido agraciado com muitas honras benesses por el Rei D. João I.
Por Carta passada em 21 de Maio de 1385 por El-Rei D. João I, é doada a Garcia Lopes de Calheiros os quintos, direitos reais e devesas da vila de Ponte do Lima, o padroado do Mosteiro de Vitorino das Donas e da Igreja de Calheiros, a freguesia de Santo Estevão da Facha, as terras de Burral do Lima e de São Martinho e ainda todos os bens e móveis e de raiz de Lopo Gomes de Lira. Diz a dita Carta, El Rey D. João…A quantos esta carta virem Fazemos saber que Nós querendo fazer graça e mercê a Garcia Lopes, escudeiro, morador em Ponte de LIma, portador d’esta carta, por muito serviço que d’elle Recebemos e intendemos de receber mais ao deante, temos por bem e Mandamos que elle tenha e haja de Nós, d’este dia para todo o sempre a nossa terra de Santo Estevão com todos os direitos, fintas e novas rendas e foros.
Por esta altura a família administrava vastos domínios incluindo o Solar de Calheiros, as Terras de Santo Estevão, Beiral do Lima e Reguengo de Castelo (1424), o senhorio das Terras de Burral e o Almoxarifado de Ponte de Lima (1453), o senhorio das Devezas de Ponte do Lima (1454).
A família lutou muitas guerras pelo Rei e pelo Reino, tendo o próprio Diogo Lopes de Calheiros estado na tomada de Tânger. O seu pai, Garcia Lopes de Calheiros, o Cavaleiro, foi armado cavaleiro em pleno campo de batalha em Arzilla pelo valor em combate.
Também no Brasil os Calheiros tiveram uma forte participação nos destinos do país. No século XVIII, o ramo da família apoiante da independência do Brasil adotou o nome de Oiticica. Foi comum nesta altura, que as grandes casas adotassem nomes locais Índios mostrando o seu apoio a D.Pedro. No campo arquitectónico e artístico destaca-se António Pereira de Calheiros, Mestre Arquitecto, a quem é atribuída entre outras a autoria da Igreja de São Pedro dos Clérigos, em Mariana, e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Ouro Preto, obras consideradas expoentes máximas do Barroco mineiro. No campo político teve grande influência António Lopes de Calheiros e Menezes, Juiz Desembargador e Presidente do Senado do Rio de Janeiro, tomando um papel importante na ratificação da Carta Constitucional pelo Príncipe Regente D.Pedro em 1821.
O título de Conde de Calheiros foi criado por D. Carlos I de Portugal, por Decreto de 20 de Março de 1890, em favor de Francisco Lopes Calheiros e Meneses.
Em outubro de 2015 os Duques de Bragança estiveram presentes no casamento de Francisco Calheiros, filho do Conde de Calheiros, com Elena Ravano em Itália (ver aqui).
O assento da família é na freguesia de Calheiros na província do Minho, no Norte de Portugal. O Paço de Calheiros, notável e imponente edifício, é tradicionalmente considerado como o mais representativo das nobres casas de Ponte de Lima. Situado na encosta de uma das colinas que circundam a Vila, o Paço de Calheiros domina, a perder de vista, um dos mais grandiosos cenários do Minho.
O Solar foi mandado construir no século XVII por Francisco Jácome Lopes de Calheiros, Senhor do Couto de Calheiros, que demoliu a velha torre dos Calheiros e usou a sua pedra no Solar. Ainda hoje existem vestígios da antiga Torre, no campo dos Paços Velhos, onde foi encontrado o forno medieval, peça de grande valor arqueológico.
A família nunca deixou a casa, sendo apontada como uma das que conservam ainda esta nobre particularidade.
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Fontes: https://www.pacodecalheiros.com/historias-dos-calheiros/
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