José Maria Rodrigues (Lugar de Gondim, Valença do Minho, 27 de junho de 1857 — Lisboa, 20 de janeiro de 1942) foi um teólogo e escritor português. Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, dedicou grande parte da sua vida à aspiração de tornar a epopeia camoniana a base da educação nacional. Foi sócio da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras.
José Maria Rodrigues nasceu em Gondim, Valença do Minho, filho de um casal de lavradores, sendo aparentado (talvez sobrinho-neto) com Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo. Depois de ter feito a instrução primária sob a direcção de um cónego local, que o iniciou no estudo das humanidades, ingressou no Seminário de Braga, onde concluiu os estudos teológicos.
Após a conclusão dos estudos no Seminário, concluiu os estudos preparatórios e ingressou em 1878, com 21 anos de idade, no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Concluídos os três primeiros anos do curso, em 1881 matriculou-se no curso de Teologia, licenciando-se em 1886. Na Universidade de Coimbra desenvolveu os seus conhecimentos de latim, grego clássico e de hebraico, fazendo dele um derradeiro representante da preclara tradição renascentista dos filólogos trilingues.
Enquanto aluno da Universidade de Coimbra destacou-se pela sua verve de polemista, participando activamente em 1883 na chamada Questão da Sebenta, tendo como opositor Camilo Castelo Branco[4], e depois na polémica entre a Faculdade de Teologia e o Bispo-Conde D. Manuel de Bastos Pina.
Concluída a licenciatura em Teologia e ordenado presbítero, doutorou-se em 1888, com uma tese intitulada Pensamento e Movimento. Nesse mesmo ano foi nomeado lente substituto, passando a reger a partir de 1890 a cadeira de Hebraico. Para além das funções docentes foi nomeado capelão da Capela da Universidade, secretário da Faculdade de Teologia e bibliotecário efectivo da Biblioteca da Universidade.
Empenhado na política educativa da época, interrompeu em 1894 a docência universitária em Coimbra para colaborar na reforma do ensino secundário liderada por Jaime Moniz, assumindo entre 1895 e 1902 o cargo de reitor do Liceu do Carmo, de Lisboa. Nesse período foi também preceptor dos príncipes, trabalhando activamente na Casa Real. Foi professor de português e de latim do Príncipe Real Luís Filipe.
Em 1902 foi nomeado professor do Curso Superior de Letras, instituição que em 1911, após a implantação da República Portuguesa, foi transformada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde passou a leccionar Filologia Clássica, cargo que manteve até ao fim da sua vida. Dotado de invulgares dotes pedagógicos, ensinou as diversas cadeiras de filologia clássica, a cadeira de Estudos Camonianos, que iniciou como curso livre sobre os Lusíadas, e Literatura Nacional e Línguas e Literaturas Alemã e Inglesa.
Manteve durante toda a sua vida a veia de polemista que demonstrou ter nos seus tempos de estudante em Coimbra, travando uma viva polémica com Epifânio Dias sobre a obra de Luís de Camões e trocado argumentos sobre temas como a relação de Luís de Camões com a Infanta D. Maria ou a descrição da dupla rota seguida por Vasco da Gama nos Lusíadas, tendo nesta última como opositores o almirante Gago Coutinho e Alfredo Pimenta.
Em Abril de 1922 a Universidade de Coimbra fê-lo doutor honoris causa em Filologia Românica. Para além do seu interesse pela história, filosofia e pedagogia, foi como filólogo que se distinguiu. Dirigiu o Centro de Estudos Filológicos da Universidade de Lisboa, foi sócio da Academia de Ciências de Lisboa e sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras e da Real Academia Española de la Lengua, de Madrid. A 24 de maio de 1927, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Instrução e da Benemerência.[5]
Em 1949, a Câmara Municipal de Lisboa homenageou o escritor dando o seu nome a uma rua na freguesia de Alcântara, em Lisboa.
A sua vasta obra centra-se em torno dos estudos camonianos, destacando-se além de duas edições críticas de Os Lusíadas (1921 e 1928) e de uma edição prefaciada e anotada das Líricas (1932, de colaboração com Afonso Lopes Vieira), as seguintes monografias:
- Fontes dos Lusíadas (Coimbra, 1905);
- Camões e a Infanta D. Maria (Coimbra, 1910);
- A tese da Infanta nas líricas de Camões (Coimbra, 1934);
- O Doutor Luciano Pereira da Silva e os estudos camoneanos (Coimbra, 1927);
- Introdução aos autos de Camões (Coimbra, 1931).

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