domingo, 1 de novembro de 2020

João Fernandes da Silveira, secretário do Rei D.João II

D. João Fernandes da Silveira (c. 1420 - 1484), 1.º Barão do Alvito foi alto funcionário régio durante a centúria de Quatrocentos e que foi elevado à nobreza. Sendo, nessa altura, titulado Barão do Alvito por carta régia do Rei D. Afonso V de Portugal de 27 de Abril de 1475 devido aos longos serviços prestados a este monarca. Foi o primeiro título de barão concedido em Portugal. O baronato do Alvito foi concedido de juro e herdade como o revela a carta régia: Barão da villa d'Alvito, de juro e herdade para sempre, sem carecer de mais licença regia. Mercê que foi posteriormente confirmada por D. João II a 10 de Abril de 1482.


Oficial da Corte:


Doutor em leis como seu pai, foi juiz desembargador, vice-chanceler do Reino e chanceler-Mor interino, foi ainda chanceler da Casa do Cível e regedor da Casa da Suplicação nos governos do regente D. Pedro, Duque de Coimbra e de D. Afonso V. Já no reinado de D. João II foi escrivão da Puridade, chanceler-mor e vedor da Fazenda. Esteve na campanha de 1471 em Marrocos e assistiu às conquistas de Tânger e Arzila.


Desempenhou o ofício de embaixador por dez vezes, prestando grandes serviços ao Reino, como quando negociou o matrimónio da Infanta D. Leonor, irmã de D. Afonso V, com o Imperador Frederico III da Germânia em 1451. Partiu para Nápoles em Junho de 1451 para aí se encontrar com os procuradores do Imperador: D. Eneas, Bispo de Trieste, D. Jorge de Vollesdorff, barão do ducado de Áustria, os seus conselheiros e Miguel de Phullendorf seu secretário. As negociações são apadrinhadas pelo Rei de Aragão e Nápoles Afonso V, o Magnânimo. O contrato de casamento virá a ser outorgado a 10 de Dezembro de 1450, estando presentes Fernando, Duque da Calábria, o Duque de Cleves e os embaixadores das Repúblicas de Veneza e Florença.


Casamentos e Descendência:


D. João Fernandes da Silveira casou em primeiras núpcias com D. Violante Pereira, filha de Joane Mendes de Agoada, corregedor da Corte. Teve:



  • Fernão da Silveira, o Moço; casou com D. Beatriz de Sousa; com linhagem extinta.


Voltou a casar com D. Maria de Sousa Lobo, senhora do Alvito, filha do 5.º Senhor do Alvito e Oriola.



  • D. Diogo Lobo da Silveira (c. 1470), 2.º Barão do Alvito; casou com D. Joana de Noronha e D. Leonor de Vilhena; com ampla descendência.

  • D. Filipe de Sousa (c. 1470), Comendador de São Martinho de Sande; casou com Francisca Pereira de Sá e Filipa da Silva; com descendência do segundo casamento.

  • D. Martinho da Silveira; casou com Leonor de Vasconcelos; o seu filho foi D. Manuel da Silveira, capitão de Mina e Ormuz.

  • D. Isabel de Sousa; casou com D. Pedro de Castro e com D. Rodrigo de Menezes; teve descendência do segundo casamento.


Brasão de Armas:


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O brasão de armas concedido a D. João Fernandes da Silveira e que se tornou no Brasão da Casa de Alvito era: em campo de prata cinco lobos pardos em aspa, armados de vermelho, tendo o escudo uma bordadura de azul com oito aspas de ouro; o timbre é um dos lobos do escudo com uma aspa na espádua. Mais tarde foi acrescentada a bordadura de azul, que, em Portugal, é privativa dos barões de Alvito.

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