domingo, 9 de agosto de 2020

Banda das Três Ordens

banda das três ordens.jpg


A Banda das Três Ordens reúne, numa só insígnia, as Grã-Cruzes das Antigas Ordens Militares de Cristo, de Avis e de Sant’Iago da Espada, as antigas ordens monástico-militares portuguesas fundadas na Idade Média.


Esta singular condecoração parece ter a sua génese no facto do Papa Júlio III ter concedido in perpetuum, à Coroa portuguesa, o Grão-Mestrado das três antigas Ordens Monástico-Militares, pela bula Praeclara Clarissimi, de 30 de Novembro de 1551.


A criação da Banda das Três Ordens aconteceu na Reforma das Ordens de D. Maria I, em 17 de Junho 1789. A soberana decretou dever passar o monarca a usar em simultâneo as insígnias das três ordens militares, por forma a não dar precedência a qualquer delas. Desta forma, a Banda das Três Ordens tornou-se a mais importante condecoração portuguesa:


“Sendo pratica dos Senhores Reis Grans-Mestres, Meus Augustos Predecessores, usar sómente da Venera e Insignia da Ordem da Cavallaria de Nosso Senhor Jesus Christo, como Eu mesma até ao presente Tenho praticado: Hei por bem Usar d’aqui em diante distinctamente das Veneras, Medalhas, ou Insignias de todas as Tres, pareça pela Insignia que o Sou sómente de huma; devendo antes honrar e prezar a todas.” (MELO, Olímpio de; Ordens Militares Portuguesas e outras Condecorações, Imprensa Nacional, Lisboa, 1922, p. 31).


Insígnia:


A Banda é constituída por três faixas, uma de cada cor: a púrpura representa a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, uma das Ordens das quais são Grão-Mestres; o verde representa a Ordem Militar de Avis e o vermelho representa a Ordem Militar de Cristo. A Banda das Três Ordens Portuguesas, como prerrogativa do Chefe do Estado, começou a ser utilizada no reinado de D. Maria I, reunindo assim numa só insígnia as três ordens (Cristo, Avis e Sant'Iago da Espada), das quais os monarcas eram Grão-Mestres.


Os Reis de Portugal que usaram a Banda das Três Ordens:



  • Rainha D.Maria I (1789–1816)

  • Rei D.João VI (1816–1826)

  • Rei D.Pedro IV (1826)

  • Rainha D.Maria II (1826–1828 e 1834–1853)

  • Rei D.Miguel I (1828–1834)

  • Rei D.Pedro V (1853–1861)

  • Rei D.Luís I (1861–1889)

  • Rei D.Carlos I (1889–1908)

  • Rei D.Manuel II (1908–1910)


Concessões a membros da Família Real:


A Banda das Três Ordens foi igualmente concedida a outros membros da Família Real. Estava reservada ao Herdeiro da Coroa, designado Príncipe do Brasil até 1815 e, posteriormente, Príncipe Real. Aos Infantes de Portugal estava antes reservada a Banda das Duas Ordens, embora também exista registo da concessão da Banda das Três Ordens a Infantes.



  • Príncipe D.João, Príncipe do Brasil (futuro Rei D.João VI)

  • Rei D.Fernando II, Rei de Portugal juris uxoris

  • Príncipe D.Pedro, Príncipe Real (futuro Rei D.Pedro V)

  • Infante D.Luís, Infante de Portugal (futuro Rei D.Luís I)

  • Príncipe D.Carlos, Príncipe Real (futuro Rei D.Carlos I)

  • Príncipe D.Luís Filipe, Príncipe Real


Concessões a monarcas estrangeiros:


Durante a monarquia constitucional foi concedida a Monarcas e Chefes de Estado estrangeiros. 



  • Rei Carlos IV de Espanha (1796)

  • Imperador Napoleão I de França (1805)

  • Rei Jorge IV do Reino Unido (1815)

  • Imperador Francisco I da Áustria (1818)

  • Rei Luís XVIII de França (1823)

  • Czar Alexandre I da Rússia (1824)

  • Rei Frederico VI da Dinamarca (1824)

  • Rei Guilherme I da Holanda (1825)

  • Rei Frederico Guilherme III da Prússia (1825)

  • Rei Jorge V do Reino Unido (1919)

  • Rei Alberto I da Bélgica (1919)

  • Rei Leopoldo III da Bélgica (1938)

  • Rei Jorge VI do Reino Unido (1939)

  • Rei Carlos II da Roménia (1939)

  • Rainha Isabel II do Reino Unido (1955)

  • Rei Balduíno I da Bélgica (1957)

  • Imperador Hailé Selassié da Etiópia (1959)

Sem comentários:

Enviar um comentário