sábado, 13 de junho de 2020

Mensagem do Rei D.Manuel II no primeiro aniversário da morte do Conde de Sabugosa


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“Saudade, Gratidão. São as duas primeiras palavras, que o coração me dita, ao escrever estas linhas sobre aquele grande Português e amigo admirável, que foi António Vasco, Conde de Sabugosa. Saudade, a mais portuguesa de todas as palavras, ...cheia de sentimento, que tanto significa; palavra que para mim representa, - Portugal!

 


E o pensar no amigo querido, recordo o passado, com ele vivido desde o meu nascimento; as horas alegres, as horas trágicas, os risos da adolescência, as lágrimas da juventude!

 


Bem-haja, Amigo, que a meu lado, até à morte, mesmo de longe sempre encontrei, firme como um rochedo, modelo de caracteres, exemplo de dedicações.

 


Se pode haver uma consolação da minha tristeza, é o poder, publicamente, patentear a minha gratidão à memória daquele que DEUS chamou a SI.

 


Em tudo, foi António Vasco um verdadeiro Português, fidalgo pelo nascimento, fidalgo pelos seus sentimentos. Para falar dele faltam-me «engenho e arte», mas sobejam-me «Saudade e Gratidão».

 


Com orgulho posso dizer, que poucos, dos vivos, conheceram tão inteiramente o Conde de Sabugosa: longas conversas durante a «rosa divina» tão portuguesa; o nosso desabafo trazia a talho de foice todos os assuntos; uma correspondência seguida, que ligava a nossa amizade, deram-me o privilégio de poder na verdade apreciar, não só o valor, as qualidades excepcionais, mas a «Ideia» do Conde de Sabugosa. Foi bela essa Ideia, sobre a qual tantas vezes me falou e me escreveu: - Mostrar aos novos, o Passado.

 


Sabugosa dedicou os últimos anos da sua vida, já doente, à ideia do ressurgimento do nome português, e de tal forma o fez, que dele se pode dizer: Bem serviu e bem honrou a sua Pátria.

 


Desfez lendas peçonhentas, com colaboração de um outro amigo querido e ilustre homem de ciência, António de Lancastre, e, no seu estilo encantador, fez reviver o Passado, para que sirva de exemplo ao Futuro!

 


Saudade, Gratidão. Ao terminar, o meu coração dita-me as palavras com que iniciei estas linhas. No primeiro aniversário da morte do grande Português, do Amigo, inclino-me prestando homenagem Àquele que morreu como viveu, tendo sempre como lema a tão bela divisa Portuguesa: «Deus, Pátria e Rei»!

 


1924

 


Manuel, R.”

 

(Fonte: "Vencidos da Vida" no Facebook)

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