terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Bento da França Pinto de Oliveira Salema, ajudante de campo do Infante D.Augusto

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Fonte: geneall.net


Bento da França Pinto de Oliveira Salema (22 de Fevereiro de 1859 - 14 de Novembro de 1906) era filho de Salvador D´Oliveira Pinto da França e de Mª Bernardina da Gama Lobo Salema de Saldanha e Sousa.


Informações:


3º Conde de Fonte-Nova
Major de Cavalaria
Ajudante de Campo de S.A. O Senhor Infante D. Augusto,
Oficial às ordens honorario de S.M.F. El-Rei D. Carlos I
Lente de Táctica da Escola do Exército,
Secretário do Governador de Timor, seu Pai (1882-1883)
Secretário do Governo de Macau
Cavaleiro e Oficial da Ordem de S. Bento de Aviz,
Cavaleiro da de S. Tiago de Espada,
condecorado com a Medalha de prata de comportamento exemplar,
Cavaleiro da Ordem de Sant'Ana da Russia.
Exerceu muitas comissões de serviço no Continente e no Ultramar, tendo sido louvado por varias vezes.

Escreveu:
-Legião Estrangeira ao serviço do Império Françes. Estudo Histórico baseado nos manuscritos de José Garcez Pinto de Madureira., Lisboa, 1889.
-Macau e os seus habitantes:Relações com Timor. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897.
-Trofeus.
-Contos
- Deixou vasta colaboração no jornal "Correio da Manhã e nas revistas "Revista Militar", "Exército Portugues", Revista das Sciencias Militares"

Imagem de Augusto, Duque de Coimbra

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Rei D.Carlos e Príncipe Real Luís Filipe em 1897

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Rainha D.Amélia com traje alentejano conduzindo um carro atrelado a 4 cavalos

A Rainha D.Amélia com traje alentejano conduzindo um carro atrelado a 4 cavalos ( apenas dois visiveis na foto) algures no Alentejo em 1903.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Gil Guedes Correia de Queiroz, ajudante de campo de D. Fernando II

Gil Guedes Correia de Queiroz nasceu na freguesia de S. Nicolau  de Santarém no dia 16 de Julho de 1795. Foi o 1ºConde da Foz, título que lhe foi concedido em 30 de Setembro de 1862, tendo sido também 1º Barão por decreto de 21 de Outubro de 1843 e 1º Visconde por diploma de 15 de Setembro de 1855.


Era filho de Tristão Guedes Correia de Queirós Castelo Branco, capitão do regimento de cavalaria de Santarém e de Francisca Manuel Correia Barreto.


Herdou de seu pai todos os bens livres, de vínculos e de prazos, entre os quais o Morgadio de Momporcão, e as Herdades do Monte do Olival, de Murças e das Freiras, tudo no termo de Estemoz e igualmente Senhor da Herdade da Capela em Monforte.


Casou em 14 de Setembro de 1847 com D. Mariana Georgina Palha de Faria Lacerda, filha do Desembargador da Casa da Suplicação e proprietário, José Pereira Palha de Faria Guião, fidalgo da Casa Real.


Entrou no serviço militar em 10 de Outubro de 1812, por isso com 17 anos e já como alferes de cavalaria tomou parte na Guerra Peninsular. Acabada esta oferece-se para tomar parte na divisão destinada a Montevideu e já como tenente.


Tomou parte na luta que se travou no Rio da Prata em 1816 sendo elogiado em várias Ordens da divisão e promovido a capitão.


Regressa a Portugal e é colocado no Regimento de Cavalaria nº 2.


De ideias liberais combate as forças do Conde de Amarante em 1823.


Com a chegada do Infante D. Miguel sai de Lisboa indo reunir-se aos liberais na ilha Terceira, nos Açores.


Fez parte da expedição que desembarcou em 8 de Julho de 1832 nas praias do Mindelo e entrou no cerco do Porto onde se distinguiu.


Já como major foi ajudante de campo de D. Pedro e promovido a tenente-coronel.


Em 1834 é coronel e comanda o Regimento de Cavalaria nº 1. Após a Revolução de Setembro pede a exoneração do comando, retirando-se para a sua casa no Alentejo.


Em 1843 governava a forte Praça de Elvas, é graduado em brigadeiro e passa a ajudante de campo de D. Fernando II. Em 1851 promovido a Marechal de Campo, em 1860 a Tenente-General e em 1864 a General de Divisão.


Fidalgo da Casa Real foi agraciado com variadíssimas condecorações entre as quais a de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada e Grã-cruz da Ordem de Avis


Faleceu no Paço das Necessidades  em Lisboa, a 27 de Fevereiro de 1870.


Fonte: http://memoriasdomeubairro.blogspot.com/

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Biografias - Isabel de Portugal, Rainha Consorte de Espanha e Imperatriz Consorte do Sacro Império Romano-Germânico

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Isabel de Portugal (Lisboa, 24 de outubro de 1503 – Toledo, 1 de maio de 1539) foi a esposa de Carlos V & I e Rainha Consorte da Espanha de 1526 até sua morte, e também Imperatriz Consorte do Sacro Império Romano-Germânico a partir de 1530. Era filha do rei Manuel I de Portugal e sua esposa Maria de Aragão e Castela.


Dona Isabel era irmã dos reis João III e de Henrique I. Inteligente e culta, criada no esplendor da mais rica corte europeia do seu tempo, em Lisboa, na educação da imperatriz participaram também, por influência de sua mãe, os castelhanos Beatriz Galindo, la Latina e o humanista Luís Vives. Foi longamente regente em nome de Carlos V, entre 1528 e 1533, primeiro, e de 1535 a 1538 novamente, enquanto o marido se ausentou, em guerra.


Além disso, teve muita importância em relação à educação do seu primogênito, que viria a ser Filipe II de Espanha, de língua materna portuguesa, criado e educado pelas damas lusitanas de sua mãe durante a infância.


D. Isabel, nasceu em 1503, filha do rei D. Manuel I de Portugal e da rainha D. Maria, por sua vez filha dos Reis Católicos, Fernando e Isabel. Tinha a tez alva, cabelos loiros arruivados, olhos claros, Isabel de Portugal foi conhecida como "a mulher mais bela de seu tempo".


D. Isabel passou uma infância feliz na companhia dos pais e dos vários irmãos, uma prole numerosa com que o casal régio foi abençoado. No Paço da Ribeira, destruído séculos depois no célebre terramoto de Lisboa, D. Isabel tornar-se-ia progressivamente numa jovem bonita e instruída, aprendendo latim, a doutrina cristã e os clássicos que surgiam nestes tempos de Renascimento. Além de bela, D. Isabel era uma mulher cultíssima, possuindo uma vasta e completa biblioteca, composta por obras de cariz espiritual, destinadas à oração e ao enriquecimento pessoal, bem como obras mais mundanas que eram do gosto da infanta, nomeadamente sobre cavalaria.


D. Maria deixou no seu testamento, e numa clara mensagem a D. Manuel I, a vontade de que D. Isabel casasse, sim, mas com reis ou filhos legítimos de reis, numa clara alusão ao filho bastardo do falecido D. João II, primo do monarca, que não era, de todo, da preferência da falecida rainha. Com a morte de D. Maria, D. Manuel I dotou a sua filha predilecta de Casa própria, de forma a que esta assumisse algumas funções governativas.


Além disso, encetou o seu casamento com Carlos I, rei de Castela e Aragão que viria a tornar-se em Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico. A morte de D. Manuel I, a 13 de Dezembro de 1521, não inviabilizaria o projecto: D. João III, irmão de D. Isabel e novo rei de Portugal, prosseguiria com os desejos de seu pai.


O casamento fora negociado por seu pai, Manuel I de Portugal, que morrendo antes de o concluir o deixou recomendado em testamento ao seu sucessor no codicilo de 11 de dezembro de 1521.


Assim, a 6 de outubro de 1525 firmou-se em Torres Novas o contrato. A noiva levou por dote a exorbitante quantia de 900 mil cruzados portugueses, ou dobras castelhanas.


Este casamento reforçou a aliança entre Espanha e Portugal, pois o rei João III tinha casado pouco antes com a irmã de Carlos: Catarina. Com estes casamentos as rainhas tornam-se nas cunhadas dos próprios irmãos.


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Do seu casamento com Carlos I de Espanha, tiveram os seguintes filhos:



  • Filipe II de Espanha (21 de maio de 1527 - 13 de setembro de 1598), casou-se pela primeira vez sua prima Maria Manuela de Portugal, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Maria I de Inglaterra, sem descendência. Casou-se pela terceira vez com Isabel de Valois, com descendência. Casou-se pela quarta e última vez com sua sobrinha Ana de Áustria, com descendência;

  • Maria da Áustria, Imperatriz Romano-Germânica (21 de junho de 1528 - 26 de fevereiro de 1603), casou-se em 1548 com seu primo Maximiliano II do Sacro Império Romano-Germânico, com descendência;

  • Fernando (22 de novembro de 1529 - 13 de julho de 1530), morreu aos sete meses de idade, o que causou muita tristeza à sua mãe, principalmente porque precisou superar sozinha, já que o amado esposo encontrava-se na Itália em consequência de assuntos do Estado.

  • Filho natimorto (29 de junho de 1534)

  • Joana de Áustria, Princesa de Portugal (24 de junho de 1535 - 7 de setembro de 1573), casou-se aos 16 anos com o herdeiro do trono português, seu primo, João Manuel, Príncipe de Portugal, com descendência;

  • João (19 de outubro de 1537 - 20 de março de 1538), o seu nascimento seria imensamente celebrado, uma vez que a saúde do herdeiro, Filipe, revelava-se muito frágil. Porém, mais frágil ainda nasceria este bebê, que morreu com cinco meses de idade. Tristeza depois de tristeza, teve D. Isabel com morte de seu filho e de sua irmã, D. Beatriz. A imperatriz, então, ordena a celebração de honras fúnebres em Madrid e Barcelona.

  • Filho natimorto (21 de abril de 1539)


Rainha de Espanha e Imperatriz do Sacro Império:


Viveu seus dias como soberana na Espanha. Isabel de Portugal tinha residência própria, onde viviam quarenta damas e açafatas e mais de setenta jovens, rapazes e raparigas, alguns filhos do pessoal que lidava de perto com D. Isabel. Além da morada do imperador, havia as casas dos infantes e infantas (quando já tinham idade para serem independentes), e ainda o palácio da rainha Joana, mãe de Carlos, que vivia em Tordesilhas. Enquanto Carlos V estava em guerra ou a negociar tratados de paz com países ou regiões da Europa, Isabel tinha as responsabilidades de regente.


D. Isabel não foi educada apenas para ser mãe e esposa. Herdando o sangue de sua avó materna, Isabel, A Católica, D. Isabel de Portugal era uma mulher decidida, honrando a educação dada nesse sentido por D. Manuel e sua mãe, D. Maria. A regência assumiria com a partida de Carlos V para Itália, de 1527 a 1529. Toda a documentação da época refere que D. Isabel era uma profunda conhecedora dos problemas dos reinos peninsulares, defendendo intransigentemente o poder régio e a suprema autoridade do monarca, sobrepondo o bem comum aos interesses particulares. A nível externo, a sua sensata atuação foi decisiva na defesa do litoral da península e do norte de África das investidas da pirataria.


Foi regente entre 1529 e 1532, e 1535 e 1539. Nessa qualidade, viajou bastante. Para amenizar as saudades e para tratar de assuntos importantes do império, Carlos e Isabel escreviam-se com regularidade. Por vezes, o imperador não escrevia durante meses, a ponto de preocupar a imperatriz, que numa carta lhe "ralhou", dizendo que ao menos lhe escrevesse "todos os vinte dias". Devido ao clima demasiado quente de Toledo e de Sevilha, a imperatriz Isabel passava os verões em Ávila, por ser mais ameno, pois sofreu diversas vezes de paludismo. Viajava no outono, com regularidade, entre Toledo, Valladolid, Sevilha, Barcelona e Maiorca. Quando tinha notícia de que o marido ia regressar, mandava preparar uma recepção, com grande comitiva, mas durante o tempo em que estava sozinha com os filhos, as damas e conselheiros da corte, Isabel de Portugal fazia uma vida muito ascética.


Morte:


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Faleceu no parto de um menino natimorto, após 14 anos de casada. No dia 21 de abril nasce este príncipe morto. Já fragilizada pelas febres, segue-se uma enorme hemorragia. As febres cessaram no dia 29 de abril. Prevendo a morte, a imperatriz confessou-se e recebeu a extrema-unção. Morreria a 1 de maio de 1539, com a mesma idade e nas mesmas circunstâncias trágicas que vitimaram a sua mãe.


O imperador Carlos sofreu muito com a morte da consorte, o homem mais poderoso da época não teve coragem de participar do cortejo fúnebre da imperatriz, tendo se recolhido em um mosteiro, onde ficou horas e horas a sofrer e contemplar o retrato de Isabel. Nunca mais voltaria a se casar novamente e passaria o resto de sua vida a vestir apenas a cor negra, demonstrando o seu eterno luto.


D. Isabel repousaria na cidade onde foi mais feliz, Granada.


Tendo a imperatriz falecido em Toledo, e estando nessa época o soberano em Granada, encarregou o Duque de Gândia, o futuro São Francisco de Borja, um dos muitos apaixonados platônicos da airosa imperatriz, de a conduzir até si a fim de a sepultar. Chegados lá, ao abrirem cerimonialmente o caixão de D. Isabel, a fim de verificarem a identidade do régio cadáver, a sua decomposição ia já avançada, destruindo a formosura da mais bonita mulher daquele tempo, segundo rezavam os literatos de então. Segundo a lenda, perante a hedionda visão do seu cadáver descomposto o ainda Duque de Gândia, casado com a portuguesa D. Leonor de Castro, uma das suas damas, e que tanto e tão longamente amara a linda imperatriz à distância, jurou nunca mais servir a senhor humano algum, virando-se unicamente para o serviço divino; e ao enviuvar de D. Leonor, alguns anos depois, optou pela vida religiosa ingressando na Companhia de Jesus.


D. Isabel marcaria a história da Europa do século XVI. A memória colectiva perpetuá-la-ia. Jamais renegou as suas origens lusas. Educara o seu filho Filipe, em especial, na língua portuguesa, rodeando-o de aias e amas da sua terra natal.

Rodrigo de Sousa Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa, camarista do Rei D.Pedro V

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Rodrigo de Sousa Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa (Paris, 2 de Maio de 1823 — São Martinho, Sintra, 2 de Setembro de 1894), 3.º conde de Linhares, foi um aristocrata, oficial da Armada e político que, entre outras funções, foi deputado, par do reino e governador civil do Distrito da Horta (1846).


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Retrato de D. Rodrigo enquanto recém-nascido, 1823


Filho de Vitório Maria Francisco de Sousa Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa, 2.º conde de Linhares, e de sua esposa Catarina Juliana de Sousa e Holstein, era gentil-homem da Real Câmara. Herdou grandes propriedades fundiárias em diversas localidades, especialmente em Lisboa e nos concelhos de Vila Franca de Xira e de Almeirim. Casou a 21 de fevereiro de 1846 com D. Ana de Mendonça Rolim de Moura Barreto, dama da rainha D. Maria Pia de Saboia, filha da infanta D. Ana de Jesus Maria de Bragança e de Nuno José Severo de Mendoça Rolim de Moura Barreto, o 1.º duque de Loulé e um dos políticos dominantes da primeira fase do liberalismo português.



Seguindo o percurso típico dos jovens da alta aristocracia a que a sua família pertencia, ainda muito novo assentou praça como cadete do Regimento de Lanceiros da Rainha. Concluídos os estudos preparatórios, matriculou-se na Escola Politécnica de Lisboa, onde concluiu em 1842 o curso de engenharia militar.


Concluído o curso e tendo sido promovido a oficial do seu Regimento, foi enviado para Lorient (Bretanha, França), onde cursou engenharia naval na École d'application du génie maritime. Concluído o curso, regressou a Lisboa e entrou ao serviço da Armada, como oficial engenheiro naval. Depois de algumas viagens de tirocínio, foi colocado no Arsenal da Marinha, em Lisboa, como engenheiro construtor naval, onde seguiu uma carreira naval que terminou no posto de vice-almirante. Reformou-se cerca de um ano antes de falecer.


Foi um dos oficiais que esteve encarregue da reorganização do Arsenal da Marinha, sendo nomeado Director das Construções Navais, cargo que exerceu perto de quarenta anos. Durante esse largo período, teve a seu cargo o plano e a superintendência da construção de quase todos os navios de guerra que desde meados da década de 1850 até ao ano de 1893 se fabricaram naquele estabelecimento fabril do Estado.


Destacou-se na luta contra o setembrismo aquando da revolta da Maria da Fonte e durante a Patuleia, sendo em 1847 um dos oficiais que ficaram prisioneiros com o António José de Sousa Manuel de Meneses, o duque da Terceira, durante quatro meses na cadeia da Relação do Porto. Em consequência, após a Convenção de Gramido foi premiado com o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, recebendo igualmente nessa mesma época o grande oficialato da Legião de Honra de França, pelos valiosos serviços prestados à armada francesa naquele tempo.


Membro destacado e fiel do Partido Progressista, foi eleito deputado pelos círculos eleitorais de Évora e Setúbal. Por morte de seu pai, ocorrida em 1857, foi nomeado por sucessão par do reino, prestando juramento na Câmara dos Pares na sessão de 23 de janeiro de 1858. Também foi governador civil do Distrito da Horta de 22 de agosto de 1846 a 10 de outubro de 1846, não constando que tenha exercido as funções, sendo o governo do distrito assegurado nesse período por António Garcia da Rosa, o 1.º barão da Areia Larga, com o título de governador civil interino.


Muito próximo da Casa Real, com quem a esposa era aparentada, em 1857 foi nomeado camarista por D. Pedro V, cargo que exerceu também junto dos monarcas D. Fernando, D. Luís I e D. Carlos I. Em 1884 foi agraciado por D. Luís I com a grã-cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa pelos serviços prestados à Casa Real, recebendo com esta mercê uma carta régia muito honrosa.


Faleceu aos 71 anos de idade na vila de Sintra, numa casa da rua do Duque de Saldanha, pelas 8 horas e meia da manhã de 2 de setembro de 1894, tendo residência habitual na freguesia de São Jorge de Arroios. Deixou filhos e fez testamento. Foi a sepultar ao Cemitério dos Prazeres.


Entre outras distinções, foi cavaleiro (1854), comendador (27 de maio de 1862) e grã-cruz (1879) da Ordem de Nossa Senhora da Conceição, cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, grande-oficial da Legião de Honra de França e grã-cruz da Ordem da Coroa de Ferro (Orden der Eisern Krone) do Império Austríaco.


domingo, 20 de dezembro de 2020

João de Meneses, 1.º Conde de Tarouca, Mordomo-Mor da Casa Real

D. João de MenesesO Trigo (c. 1460 - 12 de julho de 1522) foi Prior do Crato, 1.º Conde de Tarouca, Comendador de Sesimbra na Ordem de Santiago, Alferes-mor e Mordomo-mor de D. Manuel I, Mordomo-mor de D. João III, Capitão de Arzila e de Tânger.


Fidalgo culto e letrado, rico de teres e haveres, relevo do orgulho pátrio, filho de D. Duarte de Menezes, 3.º Conde de Viana do Alentejo e 2.º Conde de Viana da Foz do Lima.


Foi capitão de Arzila (1481), governador de Tânger (1486), comendador de Sesimbra, governador da Casa do Príncipe (1489), mordomo-mor da Casa Real (1492), 1.º Conde de Tarouca (1499), Prior do Crato (1508), conselheiro do Conselho de El-Rei (1509), e alferes-mor do Reino (1521).


27 de Fevereiro de 1480, recebe de D. Afonso V carta de Mandado de Entrega da vila e castelo de Arzila, tal como os tinha Lopo de Azevedo, capitão, tornando-se capitão-mor. Em 27 de Abril de 1481, é nomeado por carta de mercê, capitão e regedor em solido, de Arzila e seus termos, sucedendo a seu irmão Henrique de Meneses.


É feito primeiro conde de Tarouca em 24 de Abril de 1499, por carta de D. Manuel I, Almirante de Portugal, por carta de 9 de Junho de 1489 é nomeado governador da casa do príncipe, servindo também junto a ele os ofícios de mordomo mor, vedor da fazenda, e escrivão da puridade.


Depois de viúvo foi ele nomeado prior do Crato por bula de 15 de Junho de 1508, que só chegou a Portugal a 11 de Dezembro. Finalmente, nos últimos tempos da sua longa vida, foi feito alferes mor, por carta de 31 de Maio de 1521. O conde prior mordomo mor, como geralmente é nomeado, ainda tomou parte na cerimónia do auto de levantamento de D. João III a 19 de Dezembro de 1521; porém no ano seguinte morreu, em 12 de julho de 1522.


Era filho de D. Duarte de Meneses, 2.º Conde de Viana do Minho e de Isabel de Castro, filha de Fernando de Castro, governador da Casa do Infante D. Henrique. . Irmão de Henrique de Meneses, 3.º conde de Viana do Minho, 1.º conde de Valença, 1º conde de Loulé, alferes-mor de D. Afonso V, 2º capitão de Alcácer e capitão de Arzila ; de D. Garcia de Meneses, bispo da Guarda e Évora, capitão-mor de uma armada contra o turco, que morreu na cisterna do castelo de Palmela; e D. Fernando de Meneses ''o narizes'', fronteiro de Arzila.


Casou com Joana de Vilhena.


Foram pais de:



  • D. Duarte, capitão de Tânger, e governador da Índia; 

  • D. Henrique, que tambêm governou Tânger.

sábado, 19 de dezembro de 2020

João da Silva, 2.º Conde de Portalegre, mordomo-mor da Casa Real

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João da Silva (c. 1480 - ?), 2.º conde de Portalegre, foi um nobre português e membro destacado da corte de Manuel I no século XVI. Nobre de nascimento, pois descendia de uma das linhagens de nobreza imemorial da Península Ibérica que remontava ao século X, herdou da linhagem paterna domínios e senhorios na Beira Baixa. Filho primogénito de Diogo da Silva, dele herdou a alcaidaria-mor e condado de Portalegre, no Alto Alentejo. Do pai herdou ainda, por mercê régia de Manuel I, o cargo cerimonial de Mordomo-Mor. Cresceu na corte em Lisboa, onde o seu pai detinha uma posição de grande influência, tendo sido aio do rei e ocupando as funções de escrivão da puridade e vedor da fazenda. A sua mãe foi Maria de Ayala, uma nobre castelhana.


Casou com Maria de Menezes, uma das filhas de Álvaro de Bragança, senhor de Melo, Tentúgal e Cadaval, secundogénito do 2.º Duque de Bragança, Fernando I. Tratou-se de uma casamento político com uma das damas de mais elevada linhagem da corte, enquadrado na rede de alianças procuradas por Álvaro de Bragança, quando regressou do exílio em Castela nos derradeiros anos do século XV. Manuel I apagou da história a campanha de luta contra a alta nobreza preconizada anos antes pela execução do 3º Duque de Bragança, Fernando II - irmão de Álvaro - e pelo assassínio do Duque de Beja e Viseu Diogo, primo e cunhado do rei João II e irmão do seu sucessor, o próprio Manuel I. Sendo o filho primogénito do Conde de Portalegre, Mordomo-mor, escrivão da puridade e vedor da fazenda, Diogo da Silva era um aliado de peso. Acrescente que entre os seus irmãos se contam um cardeal, Miguel da Silva, e as condessas de Linhares e e Monsanto. O casamento fê-lo entrar na esfera dos Bragança, que se tornaram uma vez mais a primeira família do reino. Maria de Menezes trouxe-lhe muitas conexões familiares, tendo sido cunhado dos Marqueses de Fronteira, dos Duques de Coimbra e Condes de Vimioso. De resto, a sua ligação aos Bragança é incontornável se se atentar nos casamentos dos seus filhos, que foram todos com essa família.


Do casamento com Maria de Menezes, teve João da Silva nove filhos, três rapazes e seis raparigas. Dos varões apenas um deixou descendência, continuando-se assim o nome e a linhagem. Das mulheres sabes-se que duas casaram na família de sua mãe e três tomaram ordens religiosas. Os nove descendentes do casal foram:



  • Álvaro da Silva, que sucedeu a seu pai como 3.º Conde de Portalegre.

  • Jorge da Silva

  • António da Silva

  • Maria de Vilhena, casada com Álvaro de Melo, filho do primeiro Marquês de Ferreira

  • Margarida de Vilhena, casou com Sancho de Noronha, 4.º Conde de Odemira

  • Catarina de Vilhena

  • Antónia de Vilhena, depois sor Antónia dos Anjos, religiosa na Ordem de São Domingos no Mosteiro de S. João de Setúbal.

  • Ana da Silva, religiosa e prioreza na Ordem de São Domingos no Mosteiro de S. João de Setúbal

  • Joana da Silva, depois sor Joana da Cruz, religiosa e prioreza na Ordem de São Domingos no Mosteiro de S. João de Setúbal

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Nova Foto da Família Real Portuguesa

A Família Real Portuguesa divulgou uma nova foto para desejar um Santo Natal a todas as famílias. 


A foto foi tirada no Palácio da Pena em Sintra.


domingo, 13 de dezembro de 2020

Rainha D.Amélia e D.Augusta Victória no requiem por o Rei D.Manuel II na Catedral de Westminster (14 de Julho de 1932)

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Resumo do Ano da Família Real - 2008

Resumo do ano de 2008 da Família Real Portuguesa:


Janeiro:


4 de Janeiro: Os Duques de Bragança concederam uma entrevista ao programa "Praça da Alegria" da RTP1. (Aqui)


Fevereiro:


2 de Fevereiro: Os Duques de Bragança participaram numa homenagem ao Rei D. Carlos e o seu filho, o Príncipe Real D. Luís Filipe, no Terreiro do Paço. (Aqui)




Abril:


11 e 12 de Abril: SS.AA.RR., Dom Duarte e Dona Isabel de Bragança encontram-se com o Príncipe Eduardo de Inglaterra em Cascais, por ocasião do Congresso Internacional do Prémio Duque de Edimburgo, organizado pelo Prémio Infante D. Henrique. (Aqui)


19 de Abril: Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte e Dona Isabel participam no Jantar de angariação de fundos para a obra social dos Jesuítas, organizado no Colégio S. João de Brito.


25 de Abril: S.A.R.Dom Duartede Bragança interveio nas sessões de trabalho organizadas pelo IDP (Instituto da Democracia Portuguesa), em Bragança e Mirandela.


26 de Abril: A Família Real Portuguesa visitou Reguengos de Monsaraz a convite da Câmara Municipal de Monsaraz, por ocasião de um concurso hípico no âmbito das actividades da Comissão Dom Carlos 100 anos.


Maio:


1 de Maio: Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte e Dona Isabel visitam a Ovibeja a convite do Presidente da Câmara Municipal de Beja.


6 de Maio: SS.AA.RR., Dom Duarte e Dona Isabel de Bragança encontram-se com SS.MM. os Reis da Suécia, por ocasião da Sua visita a Portugal. (Aqui)


23 de Maio: A Familia Real assistiu ao 88º concurso de Saltos Internacional Oficial de Lisboa.


27 de Maio: SS.AA.RR., Dom Duarte e Dona Isabel de Bragança participam em vários eventos em homenagem aos SS.MM. os Reis da Noruega. (Aqui)


Junho:


2 de Junho: Cerimónia de homenagem a S. M. a Rainha Dona Amélia no hospital que ela patrocinou em Vila Nova de Gaia.


10 de Junho: S.A.R. Dona Isabel de Bragançaé homenageada na Corrida de Gala à Antiga Portuguesa, que teve lugar na praça de Touros de Reguengos de Monsaraz.


11 de Junho: SS.AA.RR., Dom Duarte e Dona Isabel de Bragançasão convidados àscelebrações dasbodas de Diamante do Rei Miguel da Roménia e da Rainha Anna, neta do Rei D. Miguel de Portugal. Teve lugar uma cerimónia oficial no Atheneun de Bucarest com a presença da Rainha Sofia de Espanha, do 1º Ministro Tarysanu, do Presidente da República Eliesco e muitas outras autoridades romenas.


Os retratos do Casal Real estavam expostos em numerosas lojas e o Museu de História tinha uma exposição dedicada aos Reis da Roménia.


21 de Junho: SS.AA.RR, Dom Duarte e Dona Isabel de Bragança no Matrimónio de Dona Diana Pereira de Mello, Duquesa de Cadaval e S.A.R, o Príncipe Charles Philipe d'Orléans. (Aqui)


28 de Junho: S.A.R. o Príncipe da Beira, Dom Afonso, entregou a taça Príncipe da Beira, no concurso hípico realizado em Viseu. (Aqui)


29 de Junho: No dia seguinte, o S.A.R. Príncipe da Beira e seu Pai, visitaram as Termas de S. Pedro do Sul, onde inauguraram as novas instalações termais dedicadas à Rainha Dona Amélia. Dom Afonso também participou numa pescaria em companhia de um grupo de jovens da sua idade.


Estes programas foram organizados pela Real Associação de Viseu. (Aqui)


Julho:


4 de Julho: Os Senhores Duques de Bragança assistiram às celebrações do dia da Rainha Santa Isabel, presidida pelo Rev. Pe. Cónego Marim, do Patriarcado de Lisboa. Participaram nestas celebrações as Reais Ordens de Santa Isabel e de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.


9 de Julho: Por iniciativa do IDP, S.A.R. o Senhor Dom Duarte participou numa jornada de trabalho no Fundão, abordando o tema da fome e de produção agrícola em Portugal.


16 de Julho: Brasil Minas Gerais/Mariana


A convite do Governador do Estado de Minas Gerais - Brasil e da Prefeitura de Mariana a Família Real Portuguesa visita a cidade de Mariana. Nesta ocasião S.A.R.Dom Duartede Bragança cumpriu a promessa de cerca de 200 anos: A entrega do Quadro da Rainha Maria Ana Josefa D'Austria, esposa de D. João V, cujo nome deu origem ao nome da cidade.


30 de Julho: É descerrada, em Cascais por S.A.R. Dom Duarte de Bragança e pelo Príncipe de Sabóia, S.A.R. O Príncipe Amadeo uma placa em mármore em memória do Rei Humberto II na residência onde o Rei viveu exilado durante os longos 37 anos, desde 1946.


Agosto:


16 de Agosto: S.A.R. Dom Duarte de Bragança visita o Concelho de Boticas (Alto Trás-os-Montes) a convite da Câmara Municipal de Boticas, participando também nas festividades em honra de Nossa Senhora da Livração. (Aqui)


Setembro:


9 de Setembro: Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte e Dona Isabel encontram-se com S.A.R. o Príncipe da Dinamarca, por ocasião da sua visita a Portugal.


13 de Setembro: S.A.R. Dom Duarte de Bragança preside às Cerimonias de Nossa Senhora da Conceição de Lamego.


20 de Setembro: Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte e Dona Isabel participaram do Jantar/Baile de Beneficência no Paço dos Duques, em Guimarães promovido pela Embaixada da Ordem de Malta em Moçambique.


26 de Setembro: Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte e Dona Isabel estiveram no Congresso Mares da Lusofonia - uma iniciativa da Comissão Rei Dom Carlos - 100 anos, inserida no âmbito das actividades da Fundação Dom Manuel II.


Outubro:


4 de Outubro: S.A.R. Dom Duarte de Bragança é convidado a visitar Roma/Vaticano, onde proferiu discurso na Conferência sobre as Raízes Cristãs da Europa e o papel das Monarquias.


18 de Outubro: Os Senhores Duques de Bragança, Dom Duarte e Dona Isabel visitam os E.U.A no âmbito da jantar/conferência sobre a Canonização do Beato Nuno de Santamaria que contou com a presença de S. E. o Cardeal de Washington e outras personalidades culturais e politicas.


19 de Outubro: S.A.R. Dom Duarte profere discurso sobre o Rei Dom Carlos na comunidade portuguesa de Elizabeth - Nova Jersey, inserido nas Comemorações Dom Carlos 100 anos, organizado pela Fundação Dom Manuel II e a Real Associação de Nova Jersey.


21 de Outubro: Evocação do Rei Dom Carlos - descerramento da lápide por S.A.R.Dom Duartede Bragança, no Colégio Militar, inserido nas Comemorações Dom Carlos 100 Anos, da Fundação Dom Manuel II.


31 de Outubro: SS.AA.RR., Dom Duarte e Dona Isabel de Bragança estiveram na IV Gala do Refúgio Aboim Ascensão, instituição de que são patronos.


Novembro:


3 de Novembro: O Senhor Duque de Bragança assiste á Sessão de Abertura do Colóquio:«Política Diplomática, Militar e Social no Reinado de D. Carlos», organizado pela Comissão Portuguesa de História Militar e pela Comissão Dom Carlos 100 anos.


6 de Novembro: S.A.R. Dom Duarte de Bragança presideà abertura daConferência sobre El Rei Dom Carlos *e o seu Reinado* no Fórum de Viseu. Esta conferência integra-se nas actividades que acompanharão a Exposição Dom Carlos, promovida pela Comissão Dom Carlos 100 Anos e em colaboração com a Real Associação de Viseu.


11 de Novembro: Visita dos Senhores Duques de Bragança à Feira da Golegã, por convite da Câmara Municipal de Golegã. Inauguração da Exposição Dom Carlos, um Rei Constitucional”, pela Comissão Dom Carlos 100 anos.


14 de Novembro: S.A.R. Dom Duarte de Bragança esteve na Sessão de Abertura do II Congresso Internacional CASA /NOBRE/ : um património para o futuro, a convite da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez.


17 de Novembro: O Senhor Duque de Bragança inaugura em Ponta Delgada, nos Açores as ruas: Rei Dom Carlos e Rainha Dona Amélia.


19 de Novembro: A Duquesa de Bragança, S.A.R., a Senhora Dona Isabel é convidada a ser Madrinha da Casa Rainha Santa Isabel, um centro de acolhimento para crianças abandonadas ligado à Escola João de Deus e criado em associação com a Câmara Municipal de Odivelas.


20 de Novembro: S.A.R., Dom Duarte de Bragança a padrinha no Porto Prémio de pintura Rei Dom Carlos, como Presidente Honorário. Este prémio que visa premiar jovens talentos na área da pintura.


30 de Novembro: Suas Altezas Reais os Duques de Bragança presidiram ao "Jantar dos Conjurados", que se realizou no Convento do Beato em Lisboa. Durante o jantar Sua Alteza Real o Duque de Bragança proferiu a tradicional Mensagem do Primeiro de Dezembro. (Aqui)


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Dezembro:


4 de Dezembro: A Senhora Duquesa de Bragança, Dona Isabel apresenta o Livro "Histórias que contei aos meus filhos" de Fernando Nobre.


8 de Dezembro: Decorrem as cerimónias do Dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal, com Procissão pelas ruas de Vila Viçosa e celebração da Santa Eucaristia no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, com a presença da SS.AA.RR. Dom Duarte e Dona Isabel de Bragança.


16 de Dezembro: O Senhor Duque de Bragança, Dom Duarte preside à inauguração da Exposição "Dom Carlos - Um Rei Constitucional" em Lagos a convite da Câmara Municipal de Lagos e da Comissão Dom Carlos 100 anos. (Aqui)


29 de Dezembro: A Família Real Portuguesa desloca-se à Madeira no âmbito das comemorações dos 500 anos da cidade do Funchal. (Aqui)

sábado, 12 de dezembro de 2020

Diogo da Silva Meneses, 1.º conde de  Portalegre, mordomo-mor da Casa Real

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Diogo da Silva Meneses, 1.º conde de  Portalegre (c.1430 - 20 de fevereiro de 1504) Senhor de Gouveia, Celorico, S. Romão de Ceia e doutras terras da Beira Baixa, foi alcaide-mor de Portalegre, mordomo-mor do rei D. Manuel I, e o seu escrivão de puridade, conselheiro e vedor da fazenda real. 


Nasceu em Ceuta e faleceu a 20 de fevereiro de 1504. 


Era filho de Aires Gomes da Silva, alcaide-mor de Campo Maior e de Ouguela, e de D. Isabel de Meneses, filha de D. Pedro de Meneses, conde de Viana e primeiro capitão de Ceuta. D. Diogo da Silva esteve em 1461 no cerco de Tânger, com o infante D. Fernando, irmão de D. Afonso V, e foi dos primeiros que escalaram as muralhas da praça, ficando ali prisioneiro juntamente com outros fidalgos. D. Diogo e a maior parte dos fidalgos e peões, foram remidos, e regressaram a Portugal. O ilustre fidalgo distinguiu-se então muito na guerra que D. Afonso V sustentou por causa das suas pretensões ao trono de Castela, defendendo contra os castelhanos a fronteira do Alentejo. Quando em 1457 o mestre de S. Tiago, de Castela, entrou em Portugal o se postou com 2.000 lanças na ribeira de Degebe, D. Diogo, por ordem de D. João II, então regente do reino, pela ausência de seu pai, D. Afonso V, que tinha ido à corte de França, fez retirar os castelhanos 


Em 1489, por ordem de D. João II, confirmou D. Diogo da Silva, com Rui de Sousa e D. Afonso de Monroy, o tratado de paz celebrado entre Aires da Silva e o rei de Fez, pelo qual se permitiu aos portugueses, cercados na Graciosa, saírem com armas, artilharia e cavalos. O referido monarca, tendo em D. Diogo da Silva a máxima confiança e consideração, o deu como aio a seu cunhado D. Manuel, duque de Beja, seu futuro sucessor, por ser varão de nobre sangue e de muito bom aviso, e saber, e de bom conselho, e nesta qualidade acompanhou sempre D. Manuel, enquanto duque e depois de rei. Este soberano tomou-lhe grande afeição, e no princípio do ano de 1458 deu-lho o senhorio de Portalegre, então vila; esta doação, porém, não teve efeito, porque os portalegrenses se opuseram energicamente, exibindo os seus direitos. O rei indignou-se, e mandou proceder contra os revoltosos que rigorosamente castigou, mas o povo insistiu na sua recusa, e D. Manuel para evitar sérias desordens, revogou a doação, dando a D. Diogo da Silva o título de conde de Portalegre, um conto de réis em dinheiro e a alcaidaria-mor do castelo de juro e herdade na sua descendência masculina, por alvará de 6 de fevereiro do mesmo ano de 1498, continuando a ser da coroa o senhorio de Portalegre. D. Diogo casou com D. Maria de Ayala, filha e herdeira de D. Garcia de Herrera, senhor das ilhas de Lançarote, Porte Ventura e Gomera, nas Canárias, e de D. Maria Pedraça, sua mulher. Em todos os actos graves da corte, sempre o conde de Portalegre teve um dos mais honrosos e distintos lugares. 


O seu brasão é o dos Silvas: Em campo de prata um leão de púrpura armado de azul.


Fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/portalegre1c.html

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Notícia da Família Real em Abril de 1909

Em Abril de 1909, o "Diário Ilustrado" publicou uma notícia sobre uma visita que o Rei D.Manuel II visitou a sua avó, a Rainha D.Maria Pia no Palácio de Ajuda no dia em que houve um tremor de terra em Lisboa.


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sábado, 5 de dezembro de 2020

Rei D.Manuel II e Rainha D.Amélia numa das janelas do Palácio das Necessidades

O Rei D.Manuel II e a sua mãe a Rainha D.Amélia assomam a uma das janelas do Palácio das Necessidades, para agradecer as aclamações populares da multidão reunida no largo fronteiro ao Paço em 1908.

D.Duarte, Duque de Bragança atribuiu condecorações a individualidades da cultura portuguesa no Palácio Fronteira

Decorreu, hoje dia 5 de Dezembro de 2020, no Palácio Fronteira, em Lisboa, a sessão solene, a atribuição de condecorações por parte da Casa Real Portuguesa, nomeadamente por SAR o Senhor Dom Duarte Pio de Bragança, Duque de Bragança e Chefe da Casa Real Portuguesa, a três individualidades da cultura portuguesa, o actor Ruy de Carvalho, o fadista António Pinto-Basto, e o eterno guitarrista de Amália Rodrigues, Joel Pina.

Foram agraciados com o grau Cavaleiro Grã-Cruz da Real Ordem Militar e Equestre de São Miguel da Ala, pela carreira de mérito ao serviço da cultura em Portugal.


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Fonte: Facebook TV Monarquia Portuguesa


Entrevista de D.Duarte, Duque de Bragança ao jornal "Sol"

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D. Duarte lamenta a forma como a pandemia está a ser tratada pelo Governo e chama a atenção para o risco de pobreza estar a aumentar. Apela ao sentido de voto dos portugueses, defendendo que o ato eleitoral devia ser obrigatório, assim como o serviço militar. Aponta também o dedo ao atual estado do ensino. O candidato ao trono recorda ainda a sua infância e juventude, destacando o seu percurso no Colégio Militar e garante que «a formação espiritual fica para toda a vida». Lembra que aprendeu pelo exemplo dos seus pais «o que são as obrigações especiais de estar sempre ao serviço do país e dos portugueses» e que os seus filhos seguiram o mesmo caminho. Chegou a falar com D. Juan Carlos sobre a sua possível vinda Portugal, mas percebeu que Cascais «não resolvia o seu problema de privacidade».


Na sua mensagem tradicional do 1.º de Dezembro critica as medidas do Governo para fazer face à pandemia e diz que ‘o Estado não pode mandar para casa um país inteiro sem garantir as atempadas condições económicas’...


Alerto para alguns erros que foram feitos. Muito mais difícil do que resolver a questão sanitária é resolver a questão económica e a questão da pobreza. Há pessoas que conheço que já estão nessa situação. Muita gente ou porque não tem acesso aos subsídios da Segurança Social ou porque exercia uma atividade independente – e não está diretamente protegida pelo Estado – já está a enfrentar grandes dificuldades económicas. Como é que se pode ajudar a economia e reagir perante esta situação pandémica para que isto não aconteça, para que não haja miséria? Pobreza vai sempre existir, mas devia-se evitar situações de pobreza grave. E depois como é que podemos reagir para repor a economia a funcionar? Devemos ver o que os outros países fizeram para seguirmos os bons exemplos e evitarmos os maus. Houve países que não fizeram confinamento e não se saíram muito pior do que aqueles que o fizeram. Houve países que reagiram antecipadamente, puseram todas as pessoas de máscara, e sobretudo em vez de fechar toda a gente de casa só retiravam de circulação as pessoas de grupo de risco: as pessoas de idade e as que tinham problemas de saúde. Esses é que foram confinados, enquanto os saudáveis continuaram nos seus trabalhos porque realmente não se pode fechar a economia de um país, não é solução. Conheço imensa gente que contraiu a covid e teve sintomas ligeiros, uma febrezinha durante uns dias mas de seguida ficaram bons, mas conheço outros que ficaram realmente aflitos. Há que ser mais seletivo em quem tem de ficar mais protegido e quem não tem.


Mas é uma situação difícil de gerir: não parar a economia mas controlar a pandemia...


Tem de se tirar da circulação as pessoas de risco, que é uma percentagem pequena da população e, em grande parte, são reformados. Se saírem do círculo económico não prejudicam a economia. Há poucas pessoas com 70 anos que ainda estejam em atividade, a não ser na agricultura. Aí há muita gente com essa idade que continua a trabalhar. Mas nessas regiões a probabilidade de serem infetados é menor do que nas cidades. Julgo que houve erros que foram feitos e quem os fez não tinha a experiência na altura para evitá-los, mas não deviam continuar a ser repetidos hoje. Devia-se tentar aprender com o que se passou.


Não há fecho completo dos setores, ao contrário do que aconteceu no início, agora temos outro tipo de restrições...


Fechar os restaurantes às 13h, por exemplo, não sei se fará muito sentido porque as pessoas não vão almoçar mais cedo. Para os restaurantes estas medidas são um desastre. Mas refiro-me mais às atividades produtivas, que produzem produtos transacionáveis, riqueza, e esses se fecharem é mais grave. Deixar de ter produção industrial ou agrícola é fatal. No caso dos serviços, claro que é péssimo, mas pode-se ser mais flexível. Por isso é que defendo que quem devia ficar fechado não são as pessoas que estão a trabalhar mas as que pertencem a grupos de risco ou pela idade ou por fraquezas de saúde. Esses é que deviam ser retirados de circulação e protegidos. Os outros apesar de correrem o risco de ficarem infetados não será tão grave porque os médicos dizem que as estatísticas mostram isso. Normalmente não são hospitalizados e não põem em causa a segurança dos hospitais. Por outro lado, há um bloqueio burocrático para algumas situações. Li que há cerca de dois mil médicos estrangeiros a viver em Portugal que não estão autorizados a praticar medicina porque os seus diplomas são passados por países que não têm acordos de equivalência com Portugal. Faz algum sentido? Um bom médico venezuelano ou cubano ou brasileiro não pode praticar em Portugal quando praticava bem no seu país e é reconhecido pelas universidades desses países? A justificação que dão é que não se sabe se os cursos são equivalentes. Então não os ponham a fazer cirurgias, por exemplo, mas podem perfeitamente tomar conta dos doentes e fazer diagnósticos.


E com a crise pandémica há falta de médicos...


Mas as Ordens dizem, muitas vezes, que há médicos a mais e por isso não querem autorizar os médicos estrangeiros. Se houvesse médicos a mais, os doentes teriam de ficar à espera dez anos por algumas consultas? Não há médicos a mais, possivelmente há é médicos mal distribuídos. Há muitas pessoas que, por não conseguirem ser atendidas pelos médicos do SNS ou da medicina privada, são tratadas por médicos que não estão reconhecidos em Portugal. Os médicos cubanos têm muito sucesso em Portugal. Houve a famosa crise dos dentistas brasileiros. No Brasil tiram formação de dentista, mas são perfeitamente capazes de tratar dos dentes. Se são situações mais complicadas, então mandam para outro. Em Viseu, Nelas, onde acompanhei mais esta situação, são os dentistas brasileiros que tratam da maior parte das pessoas. Não há preconceito por parte da população, até porque são mais baratos.


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Pode ler a entrevista completa na edição impressa do jornal "Sol".


Fonte: https://sol.sapo.pt/

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Foto da Rainha D.Maria Pia em 1875

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Fonte: Facebook Memorias do Reino de Portugal

Cerimónia da Quebra dos Escudos com as Armas Reais

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A quebra dos escudos, de remota tradição, era uma cerimónia fúnebre que se realizava após o falecimento dos monarcas, como demonstração de sentimento e tinha por finalidade a quebra dos escudos das armas reais, em sinal de luto e de pranto pelo rei falecido, para serem substituídos pelos escudos do monarca sucessor.
A referência mais antiga a esta cerimónia encontra-se nas “Memorias da vida d’el rei D. João I”, falecido em 1433. O Regimento de D. Manuel I, de 1502, regulava no “Capítulo da Pranto” o que o senado devia fazer quando o rei morria e quando era aclamado o sucessor da coroa.
A quebra dos escudos realizava-se principalmente em Lisboa e, com poucas variações, em todas as sedes de concelho do Reino e capitais do Império. Em Goa, houve em 1522 grandiosas exéquias e a quebra dos escudos de D. Manuel I, seguindo-se-lhes a aclamação de D. João III. Organizava-se em desfile público civil, de luto rigoroso, com a participação de fidalgos, cavaleiros e oficiais da Câmara, seguidos de muitas pessoas, pelas principais ruas da cidade. Juízes ou vereadores levavam os escudos das armas reais. Em vários pontos da cidade, cada um deles se erguia sobre um banco negro para fazer a alocução do pranto – “Chorai Portugueses, que faleceu o vosso Rei. . .”–e quebrar o escudo que transportava sobre a cabeça, arremessando-o violentamente ao chão.
Revestiram-se de grande pompa as quebras dos escudos de D. Pedro II (1706), D. José I (1777), D. Maria I(1816) e D. João VI (1826). Embora a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira refira que a última quebra dos escudos se realizou em 1861 (D. Pedro V), a Câmara Municipal do Funchal ainda realizou o cerimonial em 1889, quando faleceu o rei D. Luís.
Em Ponta Delgada, houve pelo menos três cerimónias de quebra dos escudos – no falecimento de D. Maria I, de D. João VI e de D. Maria II.

Discursos proferidos pelo Rei D.Pedro V nas sessões solenes de atribuição de prémios na Escola Real de Mafra (1858-1860)



Discurso [de D. Pedro V] pronunciado por ocasião da distribuição de prémios na Escola de Mafra, em 14 de março de 1858 [fl. 2]


Dois anos de existência são entre nós suficiente prova da vitabilidade11 de uma instituição. Quinze dias leva, por via de regra, a envelhecer tudo quanto ao nascer mereceu algum favor pelo simples facto da novidade.


É pois na virtude intrínseca da instituição que devemos procurar as causas da vida, dissemelhante da que arrastam entre nós tantos institutos de igual natureza, que se nota na Escola de Mafra.


Modesta chama, para assim dizer, encarcerada no mais gigantesco dos monumentos, que entre nós deixou um passado, de que tantos ainda não se desacostumaram a afastar os olhos, poderá dizer-se que ela simboliza o futuro, débil e apenas nascido, acabrunhado pelo peso do passado.


E, contudo, se caísse o monumento de pedra que parece indestrutível, o tempo e o bom senso popular poupariam a Escola, que ficaria de pé no meio das ruínas. O monumento deslumbrava, a Escola civilizava instruindo. [fl. 2 v.]


Alguém, porventura, me atribuirá a honra dos resultados até hoje obtidos. A lisonja, que não distingue, passa ao pé do mestre, que colheu os louvores para o fundador, e independente dele vem enfeixar o merecido com o imerecido para lançá-lo aos pés daquele, a quem se crê necessário atribuir o bem, porque se espera dele o benefício.


Antes pois de dizer algumas palavras sobre a natureza desta instituição, definirei o que pertence ao fundador, e o que pertence ao mestre.


Ao fundador pertence o pensamento, bom ou mau, seguindo aqueles que creem ou deixam de crer na utilidade da evangelização do ensino elementar. Construí a máquina, do mestre dependia que ela funcionasse.


Criando a Escola de Mafra obedeci a dois deveres, ou antes obedeci a um só dever, que se divide pelos dois motivos, que poderiam determinar-me a ceder à instrução um aposento em minha casa.


Olhei primeiro para o meu dever, como soberano, e, [fl. 3] sobretudo, para o caráter de permanência da minha pouca invejável autoridade. Julguei que era compreendê-lo o fazer servir a influência, que eu pudesse derivar da minha posição, como soberano, dos meus atos, como homem, em promover os melhoramentos que carecem de uma iniciativa moral, cuja continuidade se quebra tantas vezes pelas mutações da cena política. Entendi que era aplicar bem os meios de ação, que a Constituição deixa ao soberano, o chamar a instrução a criar esse bom senso universal que evita os excessos das paixões populares por uma parte, e por outra os da autoridade soberana, provocadores uns dos outros, e conseguintemente inocentes e criminosos ao mesmo tempo.


Depois, pareceu-me que a civilização bate a todas as portas, e que ela pede esmola a todos. Pareceu-me que o progresso dá obra para todos, e reclamei para mim também o nome de operário. Tantos negam à civilização e ao progresso o seu óbolo e o seu abraço, porque não têm [fl. 3 v.] nem meios nem força para alcançar uma glória que não querem repartir, porque pensam (fatal engano!) que a glória se diminui pela divisão! Esses que ignoram o valor da associação, ainda mesmo associados, seriam incapazes de produzir coisa alguma. Associariam acaso os seus capitais, sem associarem a inteligência, o coração e a vontade. Esquecem que a sociedade é responsável pelos males que sofre, que ela não deveria recorrer ao Estado, quer dizer, à necessidade de pagar o imposto forçado, sem ter pago esse imposto voluntário, cujo emprego o contribuinte tem o direito e a possibilidade de fiscalizar a cada momento.


Julguei que a Escola devia ensinar aos homens a união, ensinando-lhes a necessidade, que eles, qualquer que seja a sua posição recíproca, têm uns dos outros. Julguei que o primeiro passo dado para este fim era fazer com que eles se conhecessem desde a infância, sem que os afastassem as distinções a que tão geralmente se liga a tão funesta ideia de separação. Assim procurei que aqueles [fl. 4] que no mundo acham bastante ocasião de fazer sentir, no que tem de necessário ou de irritante as distinções do nascimento, do acaso ou da fortuna, fossem iguais diante da justiça do mestre e da disciplina escolar.


Considerei as inteligências dos alunos como páginas brancas, entre as quais se distinguiriam aquelas em que mais rapidamente ou melhor pudesse escrever o mestre. Considerei a Escola como uma pequena democracia, do seio da qual a cada momento nasce uma aristocracia. Mas as mesmas distinções, que o merecimento tivesse de criar nela, quis eu que fossem um princípio de emulação, sem jamais se converterem em um princípio de inveja. Por isso são elas o alvo de um constante certame.


Esse fim creio tê-lo alcançado, graças, sobretudo, ao mestre, que compreendeu não somente o espírito da instituição, à qual ele deu vida, senão também o dever de fazer amar e respeitar a sua magistratura sem carecer do auxílio do temor. [fl. 4 v.]


Lembrai-vos, alunos da Escola de Mafra, no decurso da vossa vida, do dia de hoje. Nele criastes a alegria em três espécies de corações, feitos igualmente para senti-la, mas feitos ao mesmo tempo para compreendê-la diversamente - O fundador da Escola pede-vos que não o esqueçais - Vossos pais viram que a índole da organização da Escola, que o seu ensino chamando o espírito a educar o coração, não frustraram a confiança que nela depositaram - Para os mestres, para os que em nome da religião e da ciência substituíram a família no mister da educação, peço a gratidão dos seus discípulos.



Mafra, 14 de março de 1858




D. Pedro V







Discurso pronunciado por S. Majestade El Rei o Senhor D. Pedro V por ocasião da distribuição de prémios na Escola Real de Mafra, em 26 de agosto de 1858, à qual presidiu também S. Majestade a Rainha a Senhora D. Estefânia [fl. 2]


São tantas as razões que podem aconselhar a criação de uma escola, que seria não acabar enumerá-las todas.


Quando, pela última vez, distribuí aos alunos da Escola de Mafra os prémios, que conquistaram com a aplicação e bom comportamento, falei de algumas. Hoje acrescentarei outras, não todas, que não é dado tê-las presentes a um tempo, mas aquelas que me pareceram mais ponderosas.


Para ser sincero direi ainda que não foram estas as que realmente inspiraram o pensamento da criação deste presepe da redenção intelectual das novas gerações, o qual por si pouco valeria se a cegueira de pai me não levasse a crer que ele vale muito pelo espírito da sua instituição.


Mas se as razões de que hoje me ocuparei não têm realmente um direito de paternidade sobre esta Escola, podem elas reclamar o direito de adoção. Por terem vindo tarde, por terem acompanhado a reflexão, não são elas menos fortes que as que se geraram da ideia um pouco vaga, nascida mais do coração que da cabeça, de que era um serviço abrir mais uma escola, sobretudo arrancar ao Estado uma parte desse domínio, que se justifica e ao mesmo tempo se deplora.


As sociedades humanas apresentam-se-nos irremissivelmente debaixo de três aspetos diferentes. [fl. 2 v.]


Vemo-las lutar, pela sua inércia, contra os esforços do poder para lhes fazer aceitar os melhoramentos, reclamados mais ainda pelo parentesco moral dos povos entre si, que pelas necessidades mesmas das sociedades. Esse estado avizinha-se da barbárie, se é que ele não é a barbárie mesma.


Depois, as boas ideias, à força de serem repetidas, começam a ser escutadas, aquilo que anos antes era utopia, subitamente deixa de sê-lo; aceita-se passivamente o que passivamente se rejeitava, e a civilização começa a identificar-se com os hábitos populares, com a índole mesma dos povos.


Como se operam essas revoluções; até que ponto sejam (sic) o resultado da ação do poder, que se envergonha de ficar atrás do seu tempo, ou da sociedade, que começa a sentir esse pudor, que é a maturidade para uma ação mais energicamente progressiva - não é aqui lugar de dizê-lo. Nem seria vergonha ignorá-lo, quando tantos o explicam diversamente.


É difícil discriminar o que, nos resultados da vida social, pertence a cada uma das duas tendências que, nas sociedades que se chamam povos, se digladiam, se exterminam e se vencem temporariamente, e que eternas como a humanidade mesma, renascem quando as crêramos mortas.


De um resultado, cada povo conserva no seu desenvolvimento, [fl. 3] no que chamamos a sua civilização, um caráter de individualidade, diante do qual falha tantas vezes a razão do legislador demasiadamente impaciente. De outro lado, cada povo participa da natureza comum da humanidade, com quem mais frequentemente caminha o legislador. Se a sua natureza própria, por vezes, o conserva no atrasamento, a humanidade o arrasta consigo, e lhe ordena que progrida. Daí os frequentes desacordos entre a condição real dos povos e a civilização que lhes formoseia a superfície; entre a massa que espera mas não crê, e as classes e os indivíduos que creem e esperam.


Ninguém contesta que os esforços, ainda extemporâneos dos governantes por comunicar movimento à inércia mesma, têm por efeito dar à sociedade, no momento da sua maioridade, os instrumentos de transformação que, aliás, ela mesma teria de construir. Não se simulam contudo oficialmente fenómenos da vida social, nem se vacina a civilização em um corpo mal disposto a deixar-se contaminar do bem e do mal que a civilização em si encerra.


O que aqui reconheço como facto, aceito-o facilmente como teoria.


A civilização existe, para mim, no estado em que a sociedade [fl. 3 v.] e o poder contendem entre si para se substituírem e se excluírem mutuamente no cuidado dos interesses da comunidade.


A esse estado desejo que cheguemos, e tenho a simplicidade de acreditar que as escolas - quando as escolas preencherem em Portugal a sua grande missão religiosa, moral e política - hão de formar a sociedade em que eu espero viver os meus últimos dias. Volver-se-iam em consolação os trabalhos, os dissabores (e, ser-me-á permitido acrescentar, as desesperações?) que custa o ser procurador dessas crianças de quem um escritor eminente disse “que já são homens”.


Não sei como se compadeçam o desfavor real, que o ensino popular encontra no fundo das declamações, que lhe prometem nova vida, e a convicção tão universal - tão triste para nós e tão lisonjeira para as que nos hão de suceder - da necessidade de quebrar a continuidade moral entre a antiga e a nova humanidade. E, contudo, essa obra tentada e malograda no século xviii, ou se há de servir da escola primária, ou é mais um desses sonhos desanimadores com que se iludem os homens.


Tentamos, disse eu, o que o século xviii tentara, mas entre uma e outra época a diferença é grande.


Substituímos à filosofia que exalta para abater, a [fl. 4] religião que nos humilha e nos atenta; e em vez de pretendermos comprimir os novos homens nos antigos moldes, entregamo-los às noções despretensiosas com que os lançamos no mundo. Entendemos que instruir é educar, e não nos parece necessário lisonjear pretensões de classes por meio de uma distinção a que não reconhecemos razão de ser. Formando o espírito, formamos o coração, e não nos lembramos de fazer da escola, que instrui com a doutrina um perfeito sucedâneo da família, que instrui pelo exemplo.


Entendemos, e creio que entendemos bem, que pelo que pode ensinar a escola primária começa e acaba a ciência humana e que, nas noções com que daí sai o mancebo, ele encontra - tolere-se a expressão - o gérmen e como que a síntese do que podem ensinar as Academias. Por isso, as boas escolas primárias dispensam, para muitos, as Academias.


Não me compete dizer bem da Escola de Mafra. Eu, que confio na regeneração do povo, que se diz rude, porque ainda não rompeu o invólucro de qualidades puras e nobres, não posso rejeitar os sufrágios que a minha obra recolhe com o número crescente de Alunos. E quando estes por tal forma se encarregam do louvor de seus Mestres, não poderei hoje dispensar-me de repetir o que há meses dizia dos que deram [fl. 4 v.] o ser ao meu pensamento?


Alunos da Escola de Mafra! Foi a Rainha quem desejou distribuir-vos hoje as recompensas que alguma coisa significam, quando tocam a poucos de entre muitos.


Não perdeis em terdes mais uma Mãe que, como as vossas, folga com as vossas primeiras satisfações, satisfações de orgulho, se não vos lembrasse que os talentos são mais acaso do que merecimento.



Mafra, 26 de agosto de 1858




D. Pedro V







Discurso pronunciado por S. Majestade El Rei o Senhor D. Pedro V por ocasião da distribuição de prémios na Escola Real de Mafra, em 26 de agosto de 1860


Num ponto existe verdadeira unidade de pensamento nos que se preocupam com o porvir das sociedades, em se empenharem todos, conquanto diversas se possam considerar as tensões, pelo alargamento da área conquistada pela instrução popular.


Não quisera que concordassem tão facilmente; quisera que a arma não deixasse de denunciar a mão que a maneja, e penso que os princípios, verdadeiros ou falsos, que entre si disputam o governo da educação nacional, ganhariam mais em se definirem com sinceridade que em se matizarem enganosamente, apelando do dia de hoje, que é sempre para o dia de amanhã, que é nunca.


Julgo ter feito bom serviço na instituição da Escola de Mafra. Desejei que fosse norma e exemplo. Melhor serviço entendo ter prestado, mantendo-a neutral no meio das contendas que, do ensino primário e do secundário, tendem a fazer um problema tão delicado e árduo.


Esforçando-me por vencer sucessivamente as dificuldades que, de comum, embargam os primeiros passos a instituições desta natureza, [?] meus quase sempre de si mesmos, não pretendo apresentar isenta de defeitos a minha feitura, ou embargar à crítica o seu voto sobre o verdadeiro valor dos resultados, que de ano para ano parecem afracar.


De uma parte da crítica me encarregarei eu mesmo, que se há faltas a confessar, quase todas se explicam e se desculpam.


Recordarei a origem da Escola, em que se fundiu quase imediatamente a antiga aula régia. Dela recebeu um contingente valioso de alunos medianamente desenvolvidos, e destes saiu, nos primeiros tempos, grande parte dos candidatos às distinções escolares. Esgotada esta camada, que pesava sobre as inferiores, principiou a Escola a operar exclusivamente sobre a matéria rude.


Cumpre em seguida atender à desproporção temporária entre as aspirações do ensino e os meios de realizá-las. Estão irmanados [?] uma unidade que não podia deixar de ser transitória, dois institutos de índole absolutamente distinta - uma escola elementar [fl. 1 v.] e uma escola de segundo grau. Presidiu até agora a ambos um só mestre insuficientemente secundado pelos ajudantes tirados de entre os alunos mais distintos.


Era impraticável o ensino simultâneo, na sua aceção mais rigorosa, com uma população, que raras vezes desceu de setenta alunos, desiguais na idade, tendo de repartir-se por um número excessivo de classes, desde o alfabeto até às noções elementares da geometria aplicada. Era difícil estabelecer o ensino mútuo, defetivo em si, mas necessário nas aulas superabundantemente povoadas, sem que grande parte do tempo se gastasse no lavor incessante de formar decuriões.


Fazer dos decuriões, ao mesmo tempo, um elemento de decomposição do ensino e uma aristocracia amovível completando o sistema disciplinar, são necessidades que, de algum modo, se prejudicam, e que não é de admirar que dessem em resultado o criar uma grande atividade na instrução de uma minoria seleta de alunos em prejuízo do aproveitamento das classes mais atrasadas.


Pode censurar-se o sistema que, em verdade, praticado imprudentemente exporia ao risco de privar mais e mais de uma base sólida a instrução das últimas classes; mas duvido que se possa dizer, sem injustiça, que tenha sido pretexto a preferências menos justificadas. Creio mesmo que, durante o período de instalação, de que apenas acaba de sair a Escola, não se teriam logrado resultados numéricos mais avantajados, sem que decrescesse proporcionalmente a média da instrução individual.


Não tratarei agora de inquirir se numa escola primária se deve olhar menos para a beleza que para a quantidade dos frutos; ou se a sua missão é antes acudir à pobreza de espírito e coração do que ativar o desenvolvimento dos talentos mais salientes. Limito-me a fazer sentir o que tem tido de excecional, até ao presente, a existência da Escola. Tem dado o que devia dar; mas não pode continuar a dar o que deu nos primeiros anos, sem se esquecer da [fl. 2] sua verdadeira destinação ainda mais do que tem sido obrigada a fazê-lo. Não se contentará de ser uma segunda lactação, mas não se lembrará nunca de ser um meio de propaganda. A Escola está ou, pelo menos, deve conservar-se igualmente afastada dessa simplicidade idílica como da utilidade que lhe atribuem as paixões políticas ou religiosas.


Aos pais dos alunos pediria eu que concorressem menos às festividades escolares, nas quais se expõem a dissabores que na sua mão estaria muitas vezes evitar, e frequentassem mais a aula nos dias ordinários; que não contassem só os prémios concedidos ou recusados no fim do ano, mas os títulos que, durante ele, dão direito a essas distinções. Tenho para mim que, se fosse possível recolher os votos das famílias e os dos alunos, estes últimos conhecedores e juízes uns dos outros, absolveriam o magistério das imputações de parcialidade com que se costuma comentar a solenidade que hoje celebramos. Nem todas as queixas supõem razão ou injustiça, e não faltaria a si mesma escola, desatendendo as que procedem de uma apreciação inexata e impaciente das aparências.


Questões de método os resultados, e só os resultados, podem cortá-las. Ora os resultados, até hoje, são satisfatórios, se os compararmos com o que sucede em institutos análogos. Vale sempre o método de ensino o que valer o mestre, e a liberdade em escolhê-lo é das que eu concederia sem repugnância ao ensino público. A regularidade e a simetria, que tantas vezes se confunde com a primeira, são coisas que estimo, mas no seu lugar. Não me parece que possa haver ortodoxia onde há progresso, nem segurança na preferência onde é tanta a incerteza no debate.


Do que venho de dizer não se infira que eu conte entre as justas de vaidades as discussões sobre a excelência relativa dos métodos, ou que a escola deva ter-se indiferente às reclamações que têm por fundamento as pretendidas restrições opostas à concorrência.


Separando de todo os dois institutos, a cujo consórcio forçado aludi [fl. 2 v.]; dando maior largueza à instrução elementar; pondo sobretudo ao ensino os marcos miliários, que hoje lhe faltam, e que digam ao aluno o que lhe é necessário, útil ou supérfluo aprender, entendo que se terá conseguido entrar na ordem e satisfazer os mais exigentes.


Virá desta forma a desdobrar-se o ensino segundo a sua divisão mais racional, interpondo-se de envolta uma barreira necessária entre a instrução primária elementar e a superior.


Distinguem-se, ao mesmo tempo, mais completamente que na atualidade os exercícios de memória, que na instrução da infância são tudo, dos exercícios de raciocínio, que supõem um começo de cultivo intelectual. Sem que haja precisão de alterar por modo sensível os métodos, desvanecer-se-ão assim, penso eu, os inconvenientes da reunião de um número excessivo de funções diversas numa mesma mão. Deixarão umas disciplinas de ser sacrificadas às outras; deixando a escola urbana de absorver a escola rural.


A solenidade que, para Vós, é uma festa, é para mim uma lutuosa comemoração. É hoje o aniversário da única distribuição de prémios a que presidiu a Rainha, a minha companheira, a amiga dos pobres. Nenhuma dor igual à de recordar na desgraça os tempos felizes. Orai pelo descanso de Aquela que fora Vossa protetora, que ontem ainda, flor pendida sobre o sepulcro, folgava com as vossas alegrias como eu sei que folgava.



Mafra, 26 de agosto de 1860




D. Pedro V



Fonte: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2236-34592018000300254&lng=pt&tlng=pt



quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Imagem do Infante D.João, Duque de Beja

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Somos finalistas no "Blogzillas do Ano"

Foi através da blogger A Lupa de Alguém que fez um comentário aqui no blog, que fiquei a saber que o blog "A Monarquia Portuguesa" tinha sido incluído no concurso dos melhores blogues do "Blogzillas do Ano". Para votarem no nosso blog só precisam de ir aqui e votar no blog através de um comentário.


Obrigado ao  "Blogzillas do Ano" por nos terem incluído neste concurso.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Correio Real nº 22

Aqui está a capa do Correio Real nº 22, a revista produzida pela Real Associação de Lisboa para a Causa Real, a ser distribuída nos próximos dias. Deste número com 36 páginas destacamos, além de uma homenagem ao Arqº Ribeiro Telles, uma entrevista concedida pelo Infante D. Diniz, Duque do Porto. Digno de relevo é o ensaio de Nuno Miguel Guedes intitulado “A suspensão da descrença” sobre o semipresidencialismo português, e um revelador artigo sobre o sistema monárquico nos Países Baixos.

Receber o Correio Real comodamente em casa com notícias sobre o movimento monárquico é uma das vantagens de estar inscrito na Real Associação de Lisboa.


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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Rainha D.Amélia acompanhada por D.Isabel Saldanha da Gama, aia dos seus filhos

A Rainha D.Amélia acompanhada por D.Isabel Saldanha da Gama, aia dos seus filhos, num landau da Casa Real, acompanhadas por um cavalheiro não identificado em 1906. 


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