domingo, 31 de maio de 2015

Rainha D.Maria Pia

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Rei D.Pedro V

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Cerimónia inaugural do Palácio de Cristal em Sydeham no Sul de Londres no dia 10 de Junho de 1854, na primeira fila ao centro a Rainha Vitória e na sua direita D. Pedro

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 Fonte: Grupo D. Pedro V no Facebook

Tomás de Melo Breyner, o medico da Casa Real

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 D. Thomaz de Mello Breyner (Lisboa, 2 de setembro de 1866 — Lisboa, 24 de outubro de 1933) foi um nobre português.


Tomás de Melo Breyner usava o título de 4.° Conde de Mafra. Seu irmão mais velho, Francisco, falecido em 1922, era o 3.° Conde de Mafra.


Filho mais novo de Francisco de Melo Breyner, o 2.° Conde de Mafra, e de sua esposa Emília Pecquet da Silva, Tomás nasceu no Castelo de São Jorge, que servia então como quartel do batalhão do qual seu pai era comandante.


Ele estudou no Colégio Académico Lisbonense e, mais tarde, na Escola Politécnica de Lisboa. Estudou Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, no Campo de Santana. Em 1893, após se especializar na França, Tomás concorreu a médico do Hospital de São José, mas acabou sendo nomeado médico da Real Câmara por o Rei D. Carlos I. Em função disso, ele acompanhou a Rainha D.Amélia em uma viagem a Paris, em 1894, e a Rainha D. Maria Pia de Saboia à Itália, em 1901.


Quando o reI D.Carlos e o príncipe Luís Filipe foram assassinados em 1908, foi Tomás de Melo Breyner que fez a supervisão dos corpos embalsemados. Tarefa penosa não só pela proximidade às vitimas como também pelo estrago feito pelas balas.


Em 1897, Tomás de Melo Breyner participou como secretário de José Tomás de Sousa Martins de um congresso sobre peste bubónica em Veneza. Em 1903, representou Portugal no Congresso Internacional de Medicina em Madrid, e fez o mesmo no realizado em Paris, em 1905. No ano seguinte, o Congresso ocorreu em Lisboa, e Tomás serviu como secretário da comissão executiva.


Entre 1906 e 1907, Melo Breyner foi deputado.


Teve colaboração em publicações periódicas como a Acção realista (1924-1926) e o jornal humorístico O Thalassa semanario humoristico e de caricaturas (1913-1915).

No dia 7 de janeiro de 1894, Tomás de Melo Breyner desposou Sofia de Carvalho Burnay, quarta filha de Henrique Burnay, 1.° conde de Burnay. Tiveram nove filhos.

sábado, 30 de maio de 2015

Entrevista de D.Duarte, Duque de Bragança à Rádio Renascença

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As suas primeiras memórias de Portugal; a terceira via para o Ultramar; o 25 de Abril; um Rei como melhor garante da república; o pragmatismo das monarquias europeias; os problemas da instabilidade política da actual Chefia de Estado; a sua actuação diplomática; o golpe republicano de 1910; a presença histórica de Portugal no mundo; o estado da nossa educação; a sua vida em família ...e onde se escondeu a sondagem do Centenário da República que indica que 40% dos portugueses não são republicanos?


S.A.R. o Duque de Bragança numa entrevista de fundo à Rádio Renascença, aqui: http://rr.sapo.pt/multimedia_detalhe.aspx?fid=2&did=947051

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Entrevista de D.Duarte, Duque de Bragança ao "Jornal I" - 2ª Parte

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Parte da entrevista fez parte de um especial sobre monarquia elaborado pelo ino início do mês. Ficou muito por publicar e aqui não está tudo. Falou horas, sem impor regras ou limites. Mesmo a constipação que o incomodava não o impediu de falar dos seus ideais, ideias e inspiração familiar. Concorde-se ou não com as suas convicções, D. Duarte é um homem simpático, sereno e, aparentemente, de bem com uma vida preenchida com histórias e peripécias.


Sendo hoje em dia o chefe da casa real, quais são as suas actividades?


O que nós pretendemos é servir Portugal, como diria o meu pai. Trabalho na direcção da Fundação D. Manuel II e, actualmente, as actividades em Portugal já não são muitas, com excepção de algumas obras de solidariedade. O nosso grande empenho é com os países da comunidade de língua portuguesa (CPLP). Os povos sentem-se esquecidos por Portugal. E quando sabem que há portugueses que vão lá, nem que seja como turistas, ficam muito satisfeitos.


Nasceu a 15 de Maio de 1945 na Suíça, no exílio. Veio novo para Portugal?


Vim mais cedo que os meus pais. Vim para Serpins, na Lousã, onde fiquei em casa da tia Filipa, que já tinha podido regressar antes. Aprendi a nadar no rio Ceira, com os filhos da moleira, e aprendi a caçar.


Ficou com ligações à sua terra natal? Regressa com alguma frequência?


Infelizmente, muito pouco, mas tenho uma grande admiração. Considero que é o único regime republicano verdadeiramente democrático e que assume essa grande preocupação democrática. Em certa medida, a Suíça podia servir de modelo para a União Europeia. É um modelo de um país bem governado.


Não tem nacionalidade suíça?


Podia ter tido, mas os meus pais nunca quiseram. Mas agora já tenho tripla nacionalidade. Também a brasileira.


Portuguesa, timorense e brasileira?


Sim. Tenho passaporte diplomático timorense que me foi dado o ano passado; votaram por unanimidade a atribuição da nacionalidade timorense. A minha mãe era brasileira e perguntei a uns amigos do governo se achavam que eu podia obter a nacionalidade, apesar de não residir lá. Dilma Rousseff concordou. O motivo, segundo me foi dito, foi que o primeiro brasileiro foi D. Pedro I do Brasil, quarto avô da minha mãe. Antes havia os portugueses que viviam no Brasil, as nações índias, guaranis, tamoios, etc. Concederam-me nacionalidade a mim, aos meus filhos, à minha mulher e aos meus irmãos.


Regressa a Portugal com seis anos. Como foram os primeiros anos?


Primeiro em Serpins, perto da Lousã. Depois, quando os meus pais voltaram, fomos viver para Coimbrões, uma casa muito simpática que foi emprestada pela D. Maria Borges, da família dos vinhos Borges, e passámos lá anos muito agradáveis. Os meus irmãos e eu fomos à escola primária local. Depois fomos para o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, e posteriormente os meus pais acharam que o ensino era melhor no Colégio Nuno Álvares em Santo Tirso, colégio dos jesuítas. Curiosamente, o meu sogro também estudou lá.


Cruzou-se com o presidente do FC Porto, Pinto da Costa? Ou com o social-
-democrata Eurico de Melo?


Cruzaram-se com o meu sogro.


O que recorda com mais intensidade desses anos?


Era um pouco maçador ser um colégio interno, mas tinha muitas compensações. O ensino era muito bom, o ambiente simpático. Não era muito bom do ponto de vista desportivo. Havia ginástica, claro, e futebol. E nunca gostei de futebol. Começámos a introduzir outros desportos, o râguebi, e achei mais divertido.


Qual era o seu desporto favorito?


Gostava muito de patinagem em patins de rodas. Ainda hoje acho que é um desporto interessantíssimo e acho uma pena estar um pouco desprezado.


Sabia andar?


Sabia e ainda hoje ando. Nunca mais se esquece, é como andar de bicicleta. Também sempre fui bom em corridas de longa distância, porque tenho umas pernas muito compridas. Aprendi a montar antes de ir para o colégio, com o mestre Nuno de Oliveira, um dos grandes professores de equitação clássica.


Ainda hoje monta?


Gosto de montar. Mas não como desporto, como passeio. Gosto de montar no Brasil porque os cavalos brasileiros são muito mais confortáveis. Não fazem o trote. Passam do passo para o galope. Em Portugal não tenho tido muito tempo.


O curso de Agronomia em Lisboa veio depois?


Estudei no Instituto Superior de Agronomia, mas entrei para a Força Aérea no último ano e não cheguei a acabar o curso. Queria ser piloto da Força Aérea e havia um limite de idade, e pensei em acabar o curso depois. Quando saí das Forças Armadas, depois de Angola, achei mais interessante fazer um curso na Universidade de Genebra, no Instituto de Estudos do De-senvolvimento, que na altura se chamava Instituto de Estudos Africanos. Tive professores muito bons, como Jean Zigler, e fiquei conhecedor da história e dos problemas económicos em África. Conheci lá dirigentes responsáveis do MPLA, FRELIMO. Na primeira aula perguntavam aos alunos porque tinham querido vir para este curso e eu respondi que admirava muito os países africanos. Quando me perguntaram o que estive a fazer em África, disse que estive na Força Aérea: o horror geral. Lá fui dizendo que fiz o meu papel tal como eles tinham feito o deles. Acreditava no futuro desses países com democracia e liberdade mas, tanto quanto possível, ligados a Portugal.


O que fazia exactamente na Força Aérea?


Pilotava sobretudo helicópteros, mas também aviões mais pequenos, de observação. Mas a minha formação foi de piloto de helicóptero. Sobretudo transportava feridos, fazia evacuações e outros transportes.


Muitas horas de voo? Muitas missões?


Bastantes. Entretanto, o ministro da Defesa na altura, já no tempo do governo de Marcelo Caetano, mandou uma ordem confidencial que me proibia de voar. Foi um dos poucos que no parlamento votou contra o fim da lei que nos impunha o exílio, quando era deputado da União Nacional. E por preocupação republicana de que a Força Aérea me desse algum prestígio, proibiu-me de voar. O comandante da base onde estava, Negage, disse que não sabia o que se passava. O meu pai protestou junto do governo e combinei que iria fazer uma acção com a população civil. Tinha uma moto checa, uma Jawa, que comprei em Angola, e um Volkswagen. Conforme as estradas, num ou noutro ia visitar as aldeias africanas, conversar com o chefe da aldeia, com o professor, onde ficava às vezes durante a noite. Durante quase um ano dei a volta toda ao norte e sul de Angola. Fiquei a conhecer o país profundamente. De repente, em Lisboa, ficaram muito preocupados e deram ordens para regressar.


Estamos a falar de que ano?


Creio que 1970. Saí da Força Aérea e voltei a Angola, e continuei o trabalho que estava a fazer com um projecto político na altura das eleições para a Assembleia Nacional. Criámos um movimento eleitoral com angolanos negros e brancos, de todas as origens, protestantes, católicos e até pessoas próximas da UNITA. Tínhamos muitas possibilidades de ganhar os lugares de deputados por Angola.
O prof. Marcelo Caetano tomou conhecimento e expulsou-me de Angola em 1972.


Assinou uma ordem?


Não sei se assinou uma ordem. O director-geral da DGS (ex-PIDE) falou comigo e disse que tinha de sair de Angola naquele próprio dia. Perguntei os motivos e disse que não sabia. Que eram ordens de Lisboa. Perguntei se tinha a ver com o que estava a fazer e respondeu que até era positivo, que iam mostrar ao mundo que, afinal, havia liberdade política em Angola e que os angolanos não queriam a independência. Isto porque a nossa lista defendia a democracia, liberdade, justiça social, direitos iguais para os territórios ultramarinos em relação ao território português, mas defendíamos que Angola não estava preparada para a independência. No fundo, criar uma espécie de Commonwealth lusófona, com progressivamente mais autonomia, era o projecto desta lista.


O que lhe disse Marcelo Caetano?


Marcelo Caetano convidou-me e começou por explicar que tinha havido um equívoco e que não era uma expulsão, mas que tive de sair de Angola por razões de segurança pessoal... ficou muito aborrecido, zangado, falou em forças vivas, que achava inadmissível o que estava a fazer. Depois das independências, depois de 1974, encontrei pessoas próximas que me disseram que Caetano estava a organizar a independência em Angola e Moçambique em colaboração com os Estados Unidos e África do Sul. E, portanto, o meu projecto estava a estragar este plano.


Na altura do 25 de Abril creio que fez um comunicado a apoiar o Movimento das Forças Armadas.


Estava em Timor um pouco antes e no dia 25 estava no Vietname a convite do presidente do parlamento. Foi ele mesmo que me disse “a sua revolução ganhou”. Falou-me no general Spínola, Galvão de Melo, Santos e Castro, pessoas conhecidas, amigas. Referiu que estavam todos na nova junta, por isso “a minha revolução” tinha ganho. Fiquei satisfeito com os generais, gente séria, honesta e patriota, e mandei logo um telegrama de parabéns. E achei que era finalmente a revolução democrática.


Depois foi um pouco diferente? Como viveu esses tempos conturbados até Novembro de 1975?


Nunca dormia em casa. Dormia sempre em casas de amigos. Porque o COPCON (Comando Operacional do Continente) ia buscar as pessoas a casa à noite.
O meu escritório foi assaltado pelo COPCON. Foi complicado. Por outro lado, os meus amigos da Força Aérea iam-me dando notícias.


Nunca pensou num novo exílio?


De todo. Tinha esperança que mudasse e até comprei a casa de Sintra. Não estava a ver um país na Europa, apoiado pelos Estados Unidos, com a população a favor das liberdades, dos direitos, da propriedade, com uma percentagem de católicos elevadíssima.


Alguns anos mais tarde, em 1995, casou com Isabel Herédia. Como a conheceu?


Sou amigo da Isabel desde que ela tinha seis anos. Encontrei-a em Angola, os pais estavam lá a trabalhar, o pai como engenheiro na Força Aérea. Nessa altura ensinei-a a nadar. Ficámos sempre muito amigos. A família teve de ir para o Brasil e foram muito acolhidos por primos e amigos meus no Brasil. Na altura, ia praticamente todos os anos ao Brasil e acabava quase sempre em casa deles, em São Paulo. Fomos mantendo esta relação de amizade até que, a dada altura, chegámos à conclusão de que havia coisas mais interessantes a fazer do que sermos só amigos. Perguntei se ela tinha pensado na possibilidade de casar comigo e pediu-me para pensar. Nunca mais dizia nada e convenci-me de que não queria, mas não queria dizer para não ser desagradável. Apanhei um susto.


Quanto tempo passou?


Seis ou sete meses. Fui ao Brasil e ela tinha de dar uma resposta, não podia continuar assim. Ela disse que eu nunca mais lhe perguntava. Estava à espera que lhe perguntasse. Mas quando a pedi em casamento foi em Santiago de Compostela. Tínhamos feito uma peregrinação e à saída da Basílica perguntei--lhe. E ela dizia que tinha de pensar. Seis meses depois, no Brasil, finalmente deu a resposta. Houve umas questões engraçadas, mas são mais do âmbito familiar.


Disse que comprou a sua casa em Sintra?


Foi comprada por mim, foi a minha “conquista revolucionária”. Em 74/75 havia casas boas e eu comprei uma em Sintra por um preço justo e razoável. As casas de família, as únicas, são no Chiado e fazem parte do testamento da rainha Dona Amélia, minha madrinha.


Tem hobbies?


Gosto de aprender, mas quando termino acabo por não praticar. Quando era novo tirei o brevê de planadores, mas depois não continuei a voar. Uma vez ou outra voo na base aérea de Sintra, mas pouco. Não tenho essas paixões. O meu filho Afonso é apaixonado pela pesca e agora ficou apaixonado pela caça também. Cacei, pesquei e de vez em quando estou com ele e também pesco, mas mais pela companhia. Não tenho propriamente hobbies. Tento fazer actividades físicas o mais possível para me manter em forma, desde a ginástica no Ténis Clube do Estoril. Ando bastante de bicicleta, se possível com os filhos. Tenho necessidade de me manter ao nível dos meus filhos, mas à medida que os anos passam vai ficando mais difícil, porque eles progridem, e nós não tanto assim. Também me ocupo da minha horta de Sintra, onde temos quase todos os legumes que se consomem em casa.


Vê televisão? Vê séries como, por exemplo, “A Guerra dos Tronos”?


Vi uma vez. Engraçada, mas não creio que valha a pena perder tempo com isso. Gosto de ver coisas onde aprendo. Como o Discovery, o National Geographic. Gosto imenso de ver as culturas e paisagens doutras regiões. Procuro bons filmes. Procuro na internet e depois compro-os, mando-os vir por correio.


Por exemplo?


Há filmes que são praticamente boicotados em Portugal. Houve um que considero de altíssima qualidade que em inglês se chama “For Greater Glory”.
É a história da grande revolta católica no México, em 1926, contra um governo que decidiu fechar as igrejas, e em que os mexicanos, durante mais de um ano, dois anos, controlaram metade do país, e o governo acabou por negociar com a população um acordo. Um filme que não conhecia, “King Maker”, que é como os portugueses salvaram a independência da Tailândia. Gostei do “Rien a declarer”, passado na fronteira franco--belga. Achei óptimo “A Gaiola Dourada”, que tenho oferecido aos meus primos no estrangeiro. Há filmes portugueses bons, mas os cineastas portugueses têm a mania de ser intelectualmente muito correctos e não se interessam muito pela opinião do público.


Gosta de música?


Gosto de todos os géneros desde que seja boa. Encontro música boa e música muito maçadora, inútil. Há música contemporânea popular muitíssimo boa e há outra que é simplesmente barulho e ruído, e não tem nenhuma qualidade estética.


Se tivesse de escolher…


A vantagem da música clássica é que já foi esquecida há muito tempo. A que sobreviveu até hoje é porque realmente é muito boa. É por isso que há tão poucos músicos clássicos. Os antigos continuam a ser tocados ainda hoje.
A música clássica mais antiga baseia-se nos ritmos do nosso cérebro e, por isso, dinamiza e melhora o nosso pensamento, o raciocínio. Todos os cientistas estão de acordo que na música clássica há um efeito fantástico sobre o nosso cérebro.


O seu filho Afonso já tem 18 anos. Considera-o preparado para assumir uma responsabilidade histórica e familiar?


Está preocupado com isso. Gosta muito de participar nas diferentes actividades mas, ao mesmo tempo, insisto com ele que a preocupação dele não é essa. Agora é ser o mais bem preparado academicamente, escolher o curso de que verdadeiramente ele gosta e que possa ser-lhe útil na prática, e os irmãos a mesma coisa. A grande paixão do Afonso sempre foi a biologia marinha. Agora interessa--se por plantas medicinais e compra livros sobre a matéria. Por outro lado, acha mais útil para o futuro ciências políticas. Agora está um pouco dividido entre biologia e política.


Em Portugal?


Preferia que fosse cá. Tenho medo de que perca os contactos com os amigos e depois porque as boas universidades no estrangeiro são muito caras. Passou dois anos num colégio em Inglaterra e fizeram-lhe muito bem em todos os aspectos mas, realmente, foi uma facada no orçamento familiar.


E se um dos seus filhos fosse republicano?


Apesar de não concordar, mas acho graça, houve alguém que disse que se pode ser republicano e inteligente e republicano e honesto, mas era muito difícil ser as três coisas ao mesmo tempo. Um republicano que discuta inteligentemente, sem preconceitos, comparando os países com repúblicas e monarquias, acaba por concordar que os países monárquicos funcionam, melhor. O dr. João Soares diz isso e não é o único.


Não corre, por isso, o risco de ter um republicano em casa.


Não, mas se tivesse pensava que seria uma questão de oposição aos pais. Respeito, mas não é muito lógico ou inteligente, ou então teria sido algum erro na nossa educação. Dito isto, conheço e tenho muitos amigos republicanos convictos e sinceros que têm bons argumentos. Houve um que me disse concordar que as monarquias funcionam melhor que as repúblicas, mas ainda achava que um dia podia ser Presidente da República, o que para mim é o melhor argumento de todos. Teoricamente, o facto de todos poderem ser Presidentes da República é um símbolo de igualdade e democracia, mas na prática não acontece. Na prática precisa de apoio de partidos, muito dinheiro, os melhores publicistas brasileiros. Se não tiver isso, pode ser óptimo mas não ganha.


Há partidos europeus socialistas e liberais que defendem a monarquia.


Também é a minha posição. Um governo republicano e uma chefia de Estado monárquica é uma boa combinação.


Se tivesse de aconselhar o governo sobre as políticas de austeridade, o que diria?


Os meus conhecimentos de economia são dos livros que leio de economistas sérios em todo o mundo e, precisamente por causa disso, fui contra a entrada de Portugal no euro. Todos os economistas sérios diziam que Portugal não estava em condições de ter como moeda o “marco alemão”. Infelizmente, na altura, quase ninguém estava de acordo comigo.


Portugal devia regressar ao escudo?


Se podemos ou não regressar a uma moeda nacional, é outra história. Hoje há opiniões muito diversas e aparentemente bem fundamentadas, e não sei dizer qual seria a melhor solução. Admito que as duas opções têm a sua razão de ser. A terceira opção seria um grupo de países da União Europeia saírem do euro em conjunto e terem uma moeda multinacional. Há uma alternativa muito interessante que não sei se é viável: é ter uma moeda dos países da CPLP. Poderia ser uma ideia interessante. Há muito mais solidariedade e empatia entre os países da CPLP que entre os países da União Europeia. A UE é uma união de interesses, enquanto a CPLP é uma união de afectos. Ainda sobre a crise, acho que o governo não pode viver abusivamente à custa dos cidadãos. A obrigação do governo é diminuir os seus custos e tentar cobrar aquilo que é justo, mas sem estrangular a capacidade económica das empresas e das famílias. Aí, a oposição tem razão quando diz que se as famílias têm menos rendimentos, também gastam menos no país.


Como podíamos alterar o estado das coisas?


Todos nós devíamos tomar muito mais cuidado e preferir os produtos nacionais. Desde o automóvel fabricado em Portu gal até à comida, roupa. Era a nossa melhor contribuição contra a crise.


E as mentalidades?


A base de todos os problemas portugueses é a falta de raciocínio lógico, que não é ensinado no sistema escolar. O sistema ensina a decorar aquilo que vem nos livros e a responder como um papagaio amestrado. Nos países de formação anglo--americana têm mais sistemas em que privilegiam o raciocínio, a compreensão, o esforço, muito mais do que as respostas dadas nos testes. É a grande evolução que temos de fazer.


 


Fonte: Jornal i

D.Duarte de Bragança visitou o Torrão, em Alcácer do Sal

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O último dia da V edição da Feira Renascentista do Torrão - Torrão ao tempo de Bernardim Ribeiro ficou indelevelmente marcado pela visita do Herdeiro da Coroa Portuguesa, S.A.R. D. Duarte de Bragança.

 

Para além da visita Real, o dia dia ficou ainda marcado pelo tradicional espectáculo de encerramento.

 

Recorde-se que o certame decorreu durante três dias, entre 22 e 24 de Maio e contou com a participação de centenas de visitantes e imensos torranenses que vivem fora da freguesia.


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 Fonte: http://realbeiralitoral.blogspot.pt/2015/05/sar-o-senhor-dom-duarte-visitou-o.html


domingo, 24 de maio de 2015

Rainha D.Maria Pia

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Infante D.Afonso, Duque do Porto

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Maria Pia com os seus filhos, Afonso e Carlos. Acompanham-na também Umberto I e Margarida de Itália e o príncipe Vítor Emanuel de Nápoles

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Rainha D.Maria Pia, Rei D.Carlos e o Infante D.Afonso

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Foto da Rainha D.Amélia

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Rainha D.Amélia em 1889

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Rei D. Manuel II

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domingo, 17 de maio de 2015

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Retrato de D. Miguel de Bragança, datado de 1848

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Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg,rainha de Portugal (no exílio)

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Adelaide de Rosenberg e o Rei D.Miguel I com dois dos seus filhos

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Miss Margery Withers, a bibliotecária do Rei D.Manuel II


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Amante indiscutível de livros, D. Manuel II, o último rei de Portugal, dedicou os seu anos de exílio em Londres aos estudos e à escrita de obras que ainda hoje são uma importante fonte para a história contemporânea de Portugal.

 

Numa primeira fase dedicou-se à sua biografia onde contrata os serviços do bibliófilo Maurice Ettinghausen em 1919 para o auxiliar na procura dos livros antigos que necessitava. 

 

Com o crescimento da sua biblioteca pessoal, o rei acaba por abandonar a ideia da biografia e dedica-se à descrição de todos os livros antigos de sua biblioteca.

 

É aqui que é aconselhado por amigos a contratar Miss Margery Withers, uma jovem bibliotecária britânica, para organizar e catalogar o seu espólio. Os livros amontoavam-se em todos os móveis e mesas da sala, e Miss Margery não teve mãos a medir. Todos os dias de manhã, bem cedo, iniciava o seu trabalho intenso com o rei D. Manuel II, e assim se mantinha até à sua hora de saída, pelas 16:00.

 

A sua proximidade à família real acabam por revelar uma amizade profunda, que faz com que Margery aprenda a língua portuguesa, e acompanhe a família real nos almoços e nos eventos sociais.

 

É também Miss Margery que após a morte prematura do rei, publica o terceiro volume da sua obra, e nos conta como foram os últimos anos do monarca português, no documentário da RTP1 de 1997 "O Lugar da História: D.Manuel II, o último rei de Portugal".

 

Miss Margery nasceu no dia 23 de Outubro de 1905 na Patagónia, Argentina, e faleceu no dia 6 de Setembro de 1999 no Reino Unido.

terça-feira, 12 de maio de 2015

D. Carlos em criança com uniforme militar

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Honras de Parente da Casa Real

Honras de Parente da Casa Real (abreviado Honras de Parente) foi uma distinção honorífica de primeira grandeza concedida pela Coroa Portuguesa a títulos nobiliárquicos.


Hierarquia:


As Honras de Parente eram hierarquizadas em tratamento de tio, sobrinho e primo d´el-Rei.


Eram as seguintes as distinções integradas nas Honras de Parente:



  • Honras de Parente da Casa Real com tratamento de tio d´el-Rei (honra máxima, apenas usada pelo Ducado de Bragança antes da ascensão ao trono);

  • Honras de Parente da Casa Real com tratamento de sobrinho d´el-Rei;

  • Honras de Parente da Casa Real com tratamento de primo d´el-Rei.


Os detentores de tais honras gozavam de precedência sobre os demais titulares. Assim, por exemplo, os marqueses com Honras de Parente tinham precedência sobre os demais marqueses, mas também um conde com Honras de Parente tinha precedência sobre todos os titulares sem esta distinção, ainda que fossem duques ou marqueses. Os títulos hierarquizavam-se segundo os seguintes critérios de precedência:



  • Honras de Parente

  • Grau (Duque, Marquês, Conde, Visconde ou Barão)

  • Juro e herdade (em detrimento dos títulos vitalícios)

  • Antiguidade


Por lei o detentor de Honras de Parente detinha, por inerência, Honras de Grandeza. Contudo as Honras de Parente apenas foram concedidas a títulos de Duque, Marquês e Conde, títulos que já implicavam de per si direito a Honras de Grandeza.


Títulos com Honras de Parente:


Duques:



Marqueses:



Condes:


Rainha D. Amélia em traje tradicional (1888)

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sábado, 9 de maio de 2015

Entrevista de D.Duarte, Duque de Bragança ao "Jornal I"

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Nasceu na Suíça num exílio forçado. Regressou para reclamar o título de chefe da Casa Real. 


Acredita que Portugal vai regressar um dia à monarquia?


Acredito que é possível, dependendo das circunstâncias. É preciso que a constituição seja alterada porque pela actual é proibido fazer-se um referendo em que os portugueses possam escolher. Os limites não são a própria democracia, ou a liberdade, mas o regime republicano. Como dizem, a forma republicana de governo. Hoje na Europa há um consenso geral que as monarquias actuais têm formas republicanas de governo mas com uma chefia de estado real. Os constitucionalistas portugueses estão divididos. O artigo 288, alínea b é o artigo mais antidemocrático da Constituição.


Gostaria de ver esse artigo alterado? E um referendo?


A bem da democracia, esse assunto deveria ser abertamente abordado até porque muitos republicanos referem que não haveria mal nenhum que Portugal tivesse um rei na chefia do Estado. Os partidos socialistas sueco e holandês já declararam que consideram que os dois países são repúblicas e o rei ou a rainha são os melhores defensores das suas repúblicas.


Quando tomou consciência que era o pretendente ao trono português, também teve a noção que poderia nunca vir a assumir esse cargo?


O meu pai sempre nos educou no sentido de estar à disposição de Portugal, seja que cargo for. Temos que servir como militar, civil ou como rei, mas também temos que estar preparados para o exílio. Aos meus filhos não falo na hipótese de exílio porque não acredito que em Portugal volte a haver essa loucura. Mas transmito a ideia que têm que servir Portugal e estar preparados.


Há monárquicos militantes de vários partidos. Mas um caso paradigmático é o de Fernando Nobre, candidato a Presidente da República e, ao mesmo tempo, monárquico. Não lhe parece estranho, ousui generis?


Somos muito amigos há muitos anos. Tenho trabalhado com ele em várias ocasiões e admiro a sua obra. É uma pessoa com capacidade, mérito e com serviços prestados ao país. Falou comigo e referiu que ofereceu os seus serviços a um cargo político de chefia de Estado. Pessoalmente não vejo inconveniente. Há pessoas que ficam incomodadas com dirigentes de um partido aparecerem em governos de outro partido. Estou a pensar em Freitas do Amaral, fundador do CDS, foi ministro de um governo socialista. Não vejo nenhum inconveniente. Creio que é dar uma importância excessiva aos partidos. O interesse do país está em primeiro lugar


Se há tantos simpatizantes em vários partidos, por que razão essa expressão não se traduz em força política? Num movimento que promovesse um referendo, por exemplo?


Porque para além da alternativa monarquia república, há muitas outras opções políticas. Uns são mais liberais, outros socialistas, ou ainda mais à esquerda. Há outras alternativas que se colocam que no imediato, e no curto prazo, parecem mais importantes que a questão da chefia de Estado.


Simpatizantes de todos os partidos, até do PCP?


Os presidentes das câmaras comunistas têm sido aqueles que mais me convidam com cerimónias de carácter oficial. Explicam sempre que são republicanos, mas respeitam a história de Portugal e consideram a minha actividade social e política meritória e por isso têm gosto em convidar-me. Uma vez por outra tenho ido à Intersindical convidado para encontros.


Que modelo de monarquia defenderia para Portugal?


Estou convencido que entre as monarquias do norte da Europa e a Espanha, haveria fórmulas aproveitadas por vários países europeus.


Alguma que lhe sirva de modelo?


Acho interessante o sistema do Luxemburgo que aliás é o país como mais sucesso económico da Europa. Mais de 20 por cento da população que trabalha é portuguesa ou de origem portuguesa. Curiosamente, Henri, o grão-duque reinante, é nosso primo próximo. Descendente do rei D. Miguel. A avó era prima direita do meu pai.


Que tipo de relações mantém com as monarquias europeias. Há mais famílias reais com ligações à sua família?


A bisavó do actual rei da Bélgica, Filipe, era também prima direita do meu pai. O príncipe reinante do Liechtenstein e uma data de famílias reais não reinantes, são descendentes do rei D. Miguel. Todos eles têm tido um comportamento exemplar e prestado um serviço fantástico aos seus países sem os problemas que às vezes vemos noutros sítios. Pessoalmente tenho uma grande admiração pelo príncipe Carlos de Inglaterra. Dou-me muito bem com a família real da Suécia, a rainha Sílvia é muito amiga da minha mulher. Temos boas relações com a família real da Holanda e da Dinamarca. Na Noruega não temos, infelizmente, muitas relações. Fora da Europa a família imperial do Japão que são muito amigos.


Para fazer essas viagens tem passaporte diplomático?


Tenho passaporte diplomático timorense que me foi dado o ano passado por iniciativa do Parlamento timorense, sugerido por Ramos Horta. Tenho um passaporte português, mas uso o passaporte timorense que tem a vantagem de poder ir para todos os países sem visto e não só: por exemplo, vim agora dos Estados Unidos e as pessoas que foram comigo demoraram duas horas a passar o controlo em Newark. Com o passaporte diplomático demorei cinco minutos.


O Rei Balduíno da Bélgica abdicou um dia para não ter que ratificar a lei do aborto. Como reagiria se lhe passasse pelas mãos uma lei que fosse contra os seus princípios?


Faria o mesmo. Ou então o que fez o grão-duque do Luxemburgo que pediu ao Parlamento para alterar a Constituição que, em caso de objecção de consciência, não necessite de assinar. A lei passaria sempre porque são países democráticos e os representantes do Povo quiseram. O problema é que se nós aceitamos que a evolução dos costumes é mais importante como fonte de legitimidade do que os valores morais e éticos, então isto não tem limites.


Os títulos nobiliárquicos dão algum tipo de direito em monarquia?


Não dá direito nenhum, a não ser a um reconhecimento social. Por exemplo, nos partidos da extrema-esquerda portuguesa estavam muito contentes por ter o marquês de Fronteira com eles (Fernando Mascarenhas). Sempre acompanhou as actividades da extrema-esquerda e era muito apreciado por toda a gente. Era considerado uma figura de prestígio nas actividades em que se envolvia, por ter um titulo ilustre. E isso é património histórico-cultural do país.


Por vezes representa o Estado português. Tem algum tipo de suporte financeiro?


Nunca tive nenhum. As viagens que faço em serviço diplomático em colaboração com o Estado português, como foi o caso de Timor, Indonésia, paguei sempre tudo no meu bolso. E viajo sempre em turística. O Estado português tirou-nos as nossas propriedades de família. Quando o meu pai estava no exílio (ainda não era nascido), na morte do rei D. Manuel II o governo do Salazar nacionalizou os bens do rei, da Casa dos Duques de Bragança – A 1ª República não tinha tocado nos bens privados.


Hoje em dia o D. Duarte vive em casa da família?


Não, foi comprada por mim, foi a minha “conquista revolucionária”. Em Abril de 74 havia casas boas e eu comprei uma em Sintra por um preço justo e razoável. A casa de família é esta aqui (Fundação D._Manuel II), vem do testamento da minha madrinha rainha Dona Amélia que me deixou as suas casas do Chiado.


Qual é a sua fonte de rendimento?


Actualmente são estas casas. Durante anos os rendimentos eram baixos, e as rendas antiquíssimas. Os inquilinos pagavam rendas de 10 euros, 5 euros a favor da rainha D Amélia. E hoje paga-se 20 euros por óptimos apartamentos. A minha mulher, que é uma óptima gestora, tem conseguido negociar essa situação, restaurar estes imóveis, e já se tornou auto-sustentável.


Fonte: http://ionline.pt/artigo/391321/d-duarte-o-rei-ou-a-rainha-sao-os-melhores-defensores-das-suas-rep-blicas-?seccao=Portugal_i